por Dr. Neil Stone e Adrienne Forman, M.S., R.D. - traduzido por HowStuffWorks Brasil
Leituras do colesterol LDL
Uma pesquisa sobre o colesterol LDL mostrou que a diminuição dos níveis dessa forma nociva de colesterol ajuda na redução do risco de doença coronariana. E isso é potencializado quando são feitas outras mudanças saudáveis, como parar de fumar, diminuir o consumo de gordura (principalmente a saturada e a trans), manter o peso ideal e fazer exercícios. Na verdade, a pesquisa mostra que cada 1% de redução do colesterol LDL corresponde a 1% de redução do risco de doença coronariana.
Há algum tempo, o NCEP determinou que 100mg/dia de colesterol LDL era o "nível ideal" e a meta do tratamento. Entretanto, alguns pesquisadores questionaram se essa meta resultava no subtratamento das pessoas com alto risco de doença coronariana.
Estudos recentes sugerem que talvez não haja limite em que o colesterol LDL deixe de ser perigoso. Na verdade, esses estudos mostram que, quando o colesterol LDL baixa para menos de 100mg/dia, o risco de doença coronariana continua a diminuir.
O estudo PROVE IT 22 (Avaliação da pravastatina ou atorvastatina - trombólise no infarto do miocárdio) examinou se duas estatinas diferentes, em diferentes doses – alta e moderada – diminuiriam os principais eventos coronarianos. Os participantes da pesquisa eram 4.162 pacientes que foram hospitalizados devido a um infarto recente ou a uma angina instável. Eles foram acompanhados por dois anos.
Os resultados mostraram que a dose mais alta de atorvastatina baixou os níveis do colesterol LDL para 95mg/dia. Entretanto, a atorvastatina reduziu o risco de morte e dos principais eventos cardiovasculares em 16%, comparada à pravastatina. Os pesquisadores concluíram que a dose mais alta de estatina resultou em um risco mais baixo de doença coronariana.
O estudo TNT (Treating to New Targets – Novas Metas de Tratamento) foi criado para determinar o valor da mesma estatina em diferentes doses – alta e moderada - nos participantes com doença coronariana estável, e não naqueles que tiveram um evento coronariano recente. Aproximadamente, 10 mil participantes entre 35 e 75 anos foram acompanhados durante cerca de cinco anos.
Aqueles que receberam a dose moderada de estatina tiveram os níveis de colesterol LDL reduzidos para 100mg/dia; os que receberam a dose intensa de estatina tiveram os níveis de colesterol LDL reduzidos para 80mg/dia. Os participantes que receberam a dose alta de estatina tiveram uma redução de 22% do risco de problemas cardiovasculares - incluindo morte, infarto e derrame - em comparação aos que receberam a dose moderada de estatina.
Finalmente, o estudo IDEAL (Incremental Decrease in End Points Through Aggressive Lipid Lowering - Redução gradativa dos desfechos através da diminuição agressiva dos lipídeos) comparou duas estatinas diferentes em duas doses diferentes - intensa e moderada - nos participantes que tiveram um infarto recente. O estudo acompanhou 8.888 pessoas de 80 anos ou menos durante cerca de cinco anos. Os resultados mostraram que os que receberam a dose mais intensa de estatina tiveram uma redução significativa de infarto não-fulminante, eventos coronarianos e quaisquer problemas cardiovasculares, e a dose alta de estatina também diminuiu o risco de morte decorrente de doença coronariana em 11%.
Em conjunto, esses estudos e outra pesquisa semelhante mostraram que a redução do colesterol LDL abaixo de 100mg/dia apresenta benefícios adicionais. Entretanto, nem todo mundo se beneficia igualmente da diminuição do colesterol LDL para menos de 100mg/dia. Estudos mostram que as pessoas com doença coronariana estabelecida e diabetes diminuem seu risco de doença coronariana ao máximo quando baixam seu colesterol LDL para menos de 100mg/dia.
As pessoas com doença coronariana estabelecida e vários fatores de risco independentes, como pressão alta ou tabagismo, ou as pessoas com diabetes, mas sem doença coronariana estabelecida, também diminuem significativamente seu risco de doença coronariana quando baixam seu colesterol LDL para menos de 100mg/dia. Mas aquelas que apresentam apenas colesterol LDL alto e nenhum outro fator de risco não diminuem muito seu risco de doença coronariana quando baixam seu colesterol LDL para menos de 100mg/dia.
O colesterol pode ficar muito baixo? Algumas evidências sugerem que níveis muito baixos de colesterol estão associados a um índice elevado de morte em decorrência de problemas não-cardiovasculares e câncer. No entanto, nenhuma causa foi estabelecida ou comprovada. E nenhum aumento significativo de morte não-cardiovascular ou câncer foi relatado pelos estudos PROVE IT, TNT ou IDEAL.
Parece justo concentrar a terapia de redução do colesterol nas pessoas que provavelmente mais se beneficiarão: as com vários fatores de risco, além de colesterol LDL alto ou colesterol HDL baixo, cujo risco é maior; e as que já apresentam doença coronariana estabelecida. Outro grupo de alto risco consiste de pessoas com colesterol LDL acima de 190mg/dia que tendam a ter hipercolesterolemia familiar (um distúrbio hereditário que provoca níveis elevadíssimos de colesterol).
Um componente principal de qualquer terapia é a mudança alimentar. Na próxima seção, descubra por que o emagrecimento é a chave para se ter um colesterol mais baixo.
Para obter mais informações sobre o colesterol, veja os links a seguir.
- Causas de colesterol alto: dieta e genética são as principais causas de colesterol elevado. Saiba por que os números podem ser altos no seu caso.
- Conseqüências de colesterol alto (em inglês): o colesterol leva diretamente a infartos. Descubra outros problemas de saúde que ele pode causar.
- Dieta pobre em colesterol
(em inglês): muitas dietas pobres em colesterol se concentram na
redução da gordura saturada. Saiba como eliminar a gordura saturada de
sua dieta.
- Como funciona o colesterol: o colesterol é essencial para o corpo. Descubra porque precisamos dele e saiba que quantidade é considerada excessiva.
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