Agricultura orgânica


A expressão "agricultura orgânica" apareceu pela primeira vez no livro do Lorde Northbourne, "Look to the Land", publicado em 1940, mas a verdade é que a agricultura orgânica é a forma mais antiga da agricultura. Antes do final da Segunda Guerra Mundial, a agricultura sem o uso de produtos químicos com base no petróleo, fertilizantes e pesticidas artificiais era a única opção que os fazendeiros tinham. As tecnologias desenvolvidas durante a guerra foram consideradas úteis para a produção agrícola. Por exemplo: o produto químico nitrato de amônio, que era usado como munição, se tornou um fertilizante eficaz e os organofosforados usados na fabricação de gás foram utilizados mais tarde como inseticida.

Atualmente, os fazendeiros estão voltando para a agricultura orgânica, mas agora com uma abordagem sistemática, baseada na ecologia, que inclui o planejamento a longo prazo, manutenção de relatórios detalhados e maiores investimentos em equipamentos e suprimentos. Embora ainda seja uma indústria pequena, o número de fazendeiros orgânicos está crescendo em aproximadamente 12% ao ano e agora eles são mais de 12 mil nos Estados Unidos.

No Brasil, em 2002, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou um levantamento que indicou a existência de mais de 7 mil produtores certificados e cerca de 13 mil que produzem orgânicos sem certificação

Agricultura orgânica nos EUA
O Economic Research Service do USDA, serviço de pesquisa econômica, relata que em 1997, o último ano em que havia dados disponíveis, fazendeiros de 49 estados usavam métodos de produção orgânica e 1/3 dos serviços de certificação orgânica, em 1,35 milhões de acres, num total de 828 milhões de acres de terras produtivas. Aproximadamente 2/3 das terras produtivas certificadas dos EUA eram usadas para plantações e 1/3 para pastagem.


Grandes fazendas, em sua maioria localizadas no centro-oeste e oeste, produziam tomates processados, uvas, vinho e outras plantações de alto valor em escala comercial, enquanto várias fazendas pequenas, concentradas no nordeste, eram especializadas na produção de vegetais para a venda direta aos consumidores e restaurantes.


Enquanto a comida orgânica pode ser encontrada por todo o país, a Califórnia foi líder na produção de frutas e vegetais orgânicos, em 1997, vindo o Arizona, a Flórida, o Texas e Washington logo atrás. Fazendeiros e rancheiros de 23 Estados criaram um pequeno número de vacas, porcos e carneiros orgânicos certificados. Nova Iorque, Wisconsin e Minnesota eram os maiores produtores de laticínios.

Desde 21 de outubro de 2002, todas as fazendas que vendem produtos agrícolas orgânicos e que lucram mais do que US$5 mil por ano, precisam ser certificadas por uma agência estadual ou particular, autorizada pelo USDA. Os fazendeiros orgânicos, entre outras coisas, precisam:

  • ter um Organic Systems Plan (OSP - planejamento de sistemas orgânicos) descrevendo como suas operações serão feitas, documentação e estar de acordo com os regulamentos adequados;
  • manter registros de sua produção e manuseio dos produtos agrícolas vendidos, etiquetados ou identificados como orgânicos;
  • submeter-se a auditorias e avaliações feitas por agentes autorizados e certificados;
  • ter fazendas com fronteiras claras e definidas e zonas de fronteira para evitar a aplicação sem intenção de uma substância proibida para a obtenção da gestão orgânica; os padrões nacionais não determinam as dimensões exatas das zonas de divisão, mas determina seus tamanhos ao produtor orgânico e ao agente certificado caso a caso;
  • usar sementes orgânicas quando elas estiverem disponíveis no mercado;
  • minimizar a erosão do solo, implantar a rotação das plantações e evitar que as plantações, solo e água sejam contaminados por nutrientes e organismos patogênicos (de origem animal ou de plantas), metais ou resíduos de substâncias proibidas;
  • não ter aplicado nenhuma substância proibida em suas terras durante os últimos três anos antes da colheita.