Comida congelada pode ser melhor do que fast food

Na correria do dia a dia é mais saudável usar o forno micro-ondas para descongelar um prato e almoçar, mesmo que seja no refeitório do escritório, que recorrer a um restaurante do tipo fast food. Essa é a surpreendente conclusão de uma pesquisa recém-divulgada nos Estados Unidos pela Academy of Nutrition and Dietetics (Academia de Nutrição e Dietética). Apesar de fresca, a comida dos estabelecimentos que oferecem refeições para serem consumidas rapidamente apresenta menos nutrientes e, consequentemente, trazem menores benefícios à saúde que os congelados.

Obviamente, essa não é a solução dos sonhos para a alimentação. As refeições feitas em casa, balanceadas, com todos os nutrientes que o corpo precisa e ingeridas sem presa e em um ambiente de tranquilidade devem ser a opção número um do cardápio de todas as pessoas. Porém, como a cada dia essa possibilidade tem sido mais restrita, a pesquisa mostra uma forma de controlar os danos entre as dietas possíveis apresentando uma possibilidade menos prejudicial à saúde com uma refeição capaz de encher a barriga e ao mesmo tempo fornecer o "combustível" para o organismo.


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Congelados têm mais nutrientes que alimentos de fast food

De acordo com os dados da pesquisa da Academia de Nutrição e Dietética dos Estados Unidos, os pratos congelados não apenas têm mais nutrientes que os alimentos encontrados nos restaurantes do tipo fast food como também são menos calóricos. "Refeições congeladas podem ser uma grande e rápida alternativa para comer fora", afirmou a nutricionista Laura Cipullo ao site especializado em vida saudável Fitbie.

Segundo a avaliação da nutricionista a partir das informações adquiridas ao longo da pesquisa, os congelados têm maior teor de vitaminas e minerais, pois uma vez que são industrializados passam por um controle de qualidade mais rigoroso que nos restaurantes. Lá, a comida fica exposta e, com o passar do tempo, vai perdendo suas qualidades. O estudo foi financiado pelo transnacional do ramo de alimentos Nestlé, que é uma parte interessada no assunto, afinal, é uma produtora em larga escala de pratos congelados.

Quantidade de calorias foi menor que nos restaurantes

Segundo a pesquisa, as pessoas que se alimentaram de pratos congelados consumiram 253 calorias a menos por dia em relação àquelas que optaram por refeições similares em restaurantes de fast food. Na avaliação das gorduras saturadas, que são prejudiciais à saúde uma vez que causam o aumento do colesterol gerando placas que entopem as artérias e maximizam o risco de doenças cardiovasculares, o consumo a partir da alimentação à base de congelados foi 2,6 gramas menor. Houve uma ingestão diária maior de nutrientes como fibras, potássio, cálcio e proteína.

O relato dos voluntários do estudo foi feito de forma espontânea. Não houve supervisão na hora da ingestão das refeições. Os responsáveis pela coordenação do estudo acreditaram nos relatórios de consumo produzidos pelos participantes, ainda que tenham suspeitado de que possa ter havido algum suplemento no caso de quem optou pelos pratos congelados. "Muitos pratos congelados são pequenos demais para serem suficientes como uma refeição. As pessoas podem comer alguma coisa além ou complementar com algo mais tarde", afirmou a nutricionista Laura Cipullo.

Ainda assim, ela afirmou acreditar que os congelados são uma opção viável para quem não tem tempo de preparar uma refeição caseira completa. Essas pessoas podem recorrer às prateleiras de congelados no supermercado e aos aparelhos de micro-ondas que muitas firmas já disponibilizam nos escritórios para facilitar a vida de seus empregados. A especialista oferece algumas dicas para quem pretende seguir essa direção na hora de comprar os pratos congelados:


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1) Verifique as proteínas

Veja no rótulo dos congelados a quantidade de proteínas que há no prato. Procure por porções que tenham ao menos três gramas. Isso irá ajudá-lo a sentir-se mais satisfeito. O objetivo é não ficar novamente com fome apenas uma ou duas horas depois de consumir a refeição.

Uma sugestão da nutricionista é um beef teriyaki, que tem em média 16 g de proteína e 5 g de fibras.

2) Fibras ajudam o funcionamento do intestino

Outro item importante a ser verificado nos rótulos dos produtos congelados é a quantidade de fibras. Elas ajudam na hora da digestão normalizando os movimentos intestinais. Ainda reduzem o colesterol auxiliando a diminuir os riscos de problemas cardíacos. São comumente encontradas em vegetais e em carboidratos complexos como quinoa ou cevada.

Uma sugestão da nutricionista são as seletas de legumes que podem ter aproximadamente 10 g de proteína e 7 g de fibras.

3) Quanto menos processado, melhor

Evite alimentos com muitos produtos químicos, corantes e substâncias artificiais que procuram aumentar demais seu tempo de validade. As comidas devem se parecer com comida. Veja no rótulo também a quantidade de sal no prato. As melhores refeições para a saúde devem ter menos de 600 mg de sódio.

4) Baixo nível de gorduras saturadas

Procure por pratos que contenham níveis baixos de gorduras saturadas. Busque aqueles que têm as gorduras boas, chamadas de mono saturadas, com ingredientes como azeite. Uma porção de beringela moussaka congelada, por exemplo, tem apenas 3,5 g de gordura saturada, mas apresenta 14 g de proteína e 5 g de fibras.

5) Evite alimentos transgênicos

Mais uma vez a leitura atenta do rótulo com os ingredientes vai ajudar nessa tarefa. Procure por pratos produzidos com alimentos orgânicos, sem o uso de organismos geneticamente modificados, os transgênicos. Afinal, ainda não há estudos de longo prazo sobre os danos que estes últimos podem causar na saúde das pessoas e eles estão sendo cada vez mais utilizados em produtos industrializados.