![]() Foto cortesia da NASA Os médicos normalmente usam a ressonância magnética para verificar os danos cerebrais de um paciente em coma |
Em primeiro lugar, os médicos tomam as devidas precauções para que o paciente não corra risco eminente de morte. Pode ser necessário o uso de uma máquina de ventilação artificial, conectada ao paciente através de um tubo que passa pela boca e pela traquéia, também chamada de respirador. Se há outros ferimentos graves em outras partes do corpo que possam colocar a vida do paciente em risco, eles serão tratados. Se uma pressão intracraniana excessiva causou o coma, os médicos podem aliviar essa pressão colocando cirurgicamente um tubo dentro do crânio para drenar o líquido. Um procedimento chamado hiperventilação, que aumenta a freqüência da respiração para contrair os vasos sangüíneos no cérebro, também pode ser usado para diminuir a pressão intracraniana. O médico também pode usar medicação para prevenir convulsões. Se uma overdose de drogas ou taxa muito baixa de açúcar no sangue causou o coma, os médicos tentam corrigir isto o mais rápido possível. Os pacientes que tiveram acidente vascular (derrame) isquêmico agudo podem passar por procedimentos ou receber medicação anticoagulante para melhorar o fluxo sanguíneo cerebral.
Os médicos também podem usar exames de imagem como a ressonância magnética (MRI) ou a tomografia computadorizada (CT), para ver dentro do cérebro e identificar um tumor, aumento de pressão ou qualquer sinal de dano cerebral. A eletroencefalografia (EEG) é um exame usado para detectar anormalidades na atividade elétrica cerebral. Se o médico suspeitar de uma infecção como a meningite, pode fazer uma coleta de líquor para chegar ao diagnóstico. Para fazer este exame, o médico coloca uma agulha na espinha do paciente e remove uma amostra do líquido cérebro-espinhal para ser analisado.
![]() Foto cedida por MorgueFile Muitos pacientes em coma precisam de um respirador |
Como os pacientes em coma não comem nem bebem sozinhos, recebem nutrientes e líquidos pelas veias ou através de um tubo de alimentação para que não morram de fome ou desidratação. Eles também recebem eletrólitos, sal e outras substâncias que ajudam a regular os processos orgânicos.
Se o paciente em coma continuar a depender de um ventilador para respirar, pode receber um tubo especial que entra na traquéia pela parte frontal do pescoço (uma traqueostomia). O tubo de traqueostomia pode ser deixado no lugar por longos períodos de tempo por precisar de menos manutenção e não machucar os tecidos da cavidade oral e da traquéia superior. Como esses pacientes também não podem urinar sozinhos, recebem um tubo de borracha chamado catéter, inserido diretamente na bexiga para remoção da urina.
A seguir, veremos como as pessoas se recuperam do coma.
Se a pessoa em questão assinou um advanced medical directive (ordem antecipada de cuidados médicos) essa decisão é muito mais fácil, pois a família pode simplesmente atender o desejo do paciente. Na falta desse documento, a família tem que conversar cuidadosamente com o médico para determinar o que é melhor para o paciente. Em muitos casos, essa decisão pode ser controversa o suficiente para acabar na justiça e nas manchetes dos jornais. Em 1975, Karen Ann Quinlan, de 21 anos, sofreu sérios danos cerebrais e acabou em estado vegetativo persistente após ingerir uma perigosa combinação de álcool e sedativos. Sua família foi à corte judicial pedir que seu tubo de alimentação e respirador fossem removidos. Em 1976, a justiça de Nova Jersey concordou. Entretanto, quando os tubos foram removidos ela começou a respirar sozinha e viveu até 1985, quando morreu de pneumonia. Um caso recente gerou uma batalha judicial ainda maior, chegando ao poder executivo. Em 1990, o coração de Terri Schiavo parou de bater temporariamente por causa de complicações devido à bulimia. Ela sofreu sérios danos cerebrais e entrou em estado vegetativo persistente. Seu marido e pais começaram uma briga para decidir se o tubo de alimentação seria removido. A disputa deles chegou ao congresso e chamou a atenção do presidente George W. Bush. Finalmente, o tubo foi removido e Terri morreu em março de 2005. |