Como os médicos tratam os pacientes em coma

Autor: 
Stephanie Watson

Foto cortesia da NASA
Os médicos normalmente usam a ressonância magnética para verificar os danos cerebrais de um paciente em coma

Não existe um tratamento para tirar um paciente do coma, os tratamentos servem para prevenir futuros danos físicos e neurológicos.

Em primeiro lugar, os médicos tomam as devidas precauções para que o paciente não corra risco eminente de morte. Pode ser necessário o uso de uma máquina de ventilação artificial, conectada ao paciente através de um tubo que passa pela boca e pela traquéia, também chamada de respirador. Se há outros ferimentos graves em outras partes do corpo que possam colocar a vida do paciente em risco, eles serão tratados. Se uma pressão intracraniana excessiva causou o coma, os médicos podem aliviar essa pressão colocando cirurgicamente um tubo dentro do crânio para drenar o líquido. Um procedimento chamado hiperventilação, que aumenta a freqüência da respiração para contrair os vasos sangüíneos no cérebro, também pode ser usado para diminuir a pressão intracraniana. O médico também pode usar medicação para prevenir convulsões. Se uma overdose de drogas ou taxa muito baixa de açúcar no sangue causou o coma, os médicos tentam corrigir isto o mais rápido possível. Os pacientes que tiveram acidente vascular (derrame) isquêmico agudo podem passar por procedimentos ou receber medicação anticoagulante para melhorar o fluxo sanguíneo cerebral.

Os médicos também podem usar exames de imagem como a ressonância magnética (MRI) ou a tomografia computadorizada (CT), para ver dentro do cérebro e identificar um tumor, aumento de pressão ou qualquer sinal de dano cerebral. A eletroencefalografia (EEG) é um exame usado para detectar anormalidades na atividade elétrica cerebral. Se o médico suspeitar de uma infecção como a meningite, pode fazer uma coleta de líquor para chegar ao diagnóstico. Para fazer este exame, o médico coloca uma agulha na espinha do paciente e remove uma amostra do líquido cérebro-espinhal para ser analisado.


Foto cedida por MorgueFile
Muitos pacientes em coma precisam de um respirador

Assim que o paciente estiver estável, os médicos se concentram em mantê-lo o mais saudável possível. Pacientes em coma são suscetíveis a pneumonia e outras infecções. Muitos comatosos ficam na unidade de terapia intensiva (UTI), onde são continuamente monitorados pelos médicos e enfermeiros. Pessoas em coma por muito tempo podem receber fisioterapia para evitar atrofia muscular. Os enfermeiros também mudam esses pacientes de posição periodicamente para prevenir escaras, feridas de pele muito doloridas causadas por ficar deitado no mesmo lado por muito tempo.

Como os pacientes em coma não comem nem bebem sozinhos, recebem nutrientes e líquidos pelas veias ou através de um tubo de alimentação para que não morram de fome ou desidratação. Eles também recebem eletrólitos, sal e outras substâncias que ajudam a regular os processos orgânicos.

Se o paciente em coma continuar a depender de um ventilador para respirar, pode receber um tubo especial que entra na traquéia pela parte frontal do pescoço (uma traqueostomia). O tubo de traqueostomia pode ser deixado no lugar por longos períodos de tempo por precisar de menos manutenção e não machucar os tecidos da cavidade oral e da traquéia superior. Como esses pacientes também não podem urinar sozinhos, recebem um tubo de borracha chamado catéter, inserido diretamente na bexiga para remoção da urina.

A seguir, veremos como as pessoas se recuperam do coma.

Decisões difíceis
Acompanhar uma esposa ou membro da família em coma ou estado vegetativo é muito difícil, mas quando a condição persiste por muito tempo, a família pode ter que tomar algumas decisões muito mais difíceis. Nos casos onde o paciente não se recupera rapidamente, a família precisa decidir se deixa o ente amado em um respirador artificial e tubo de alimentação indefinidamente, ou se remove o aparato e permite que a pessoa morra.

Se a pessoa em questão assinou um advanced medical directive (ordem antecipada de cuidados médicos) essa decisão é muito mais fácil, pois a família pode simplesmente atender o desejo do paciente. Na falta desse documento, a família tem que conversar cuidadosamente com o médico para determinar o que é melhor para o paciente.

Em muitos casos, essa decisão pode ser controversa o suficiente para acabar na justiça e nas manchetes dos jornais. Em 1975, Karen Ann Quinlan, de 21 anos, sofreu sérios danos cerebrais e acabou em estado vegetativo persistente após ingerir uma perigosa combinação de álcool e sedativos. Sua família foi à corte judicial pedir que seu tubo de alimentação e respirador fossem removidos. Em 1976, a justiça de Nova Jersey concordou. Entretanto, quando os tubos foram removidos ela começou a respirar sozinha e viveu até 1985, quando morreu de pneumonia.

Um caso recente gerou uma batalha judicial ainda maior, chegando ao poder executivo. Em 1990, o coração de Terri Schiavo parou de bater temporariamente por causa de complicações devido à bulimia. Ela sofreu sérios danos cerebrais e entrou em estado vegetativo persistente. Seu marido e pais começaram uma briga para decidir se o tubo de alimentação seria removido. A disputa deles chegou ao congresso e chamou a atenção do presidente George W. Bush. Finalmente, o tubo foi removido e Terri morreu em março de 2005.