Com o critério de diagnóstico em mente, a cleptomania como uma doença real ocorre em uma porcentagem muito pequena da população. Enquanto nenhuma estimativa geral é feita, os cientistas calculam que a cleptomania ocorra em 5 a 10% dos pacientes psiquiátricos [fonte: Grant].
![]() Bert Hardy/Picture Post/Getty Images Uma ladra olha ao redor em uma loja de departamentos para verificar se alguém a está observando |
A cleptomania tende a ser mais comum em mulheres que em homens. De qualquer forma, deve haver algum preconceito sexual nessa estatística, porque as mulheres que roubam tendem a receber tratamento psiquiátrico, enquanto os homens que roubam costumam ir para a prisão [fonte: Grant]. Do mesmo modo, não parece haver nenhum grupo social em particular no qual a cleptomania seja mais freqüente.
A cleptomania normalmente começa na adolescência ou no início da vida adulta. A idade em que os pacientes procuram um psiquiatra varia: as mulheres costumam procurar ajuda por volta dos 30 anos enquanto os homens esperam até os 50 anos para fazer isso. Há reportagens sobre cleptomaníacos do fim dos anos 70. Não sabemos se a cleptomania tem componentes genéticos, mas alguns estudos apontaram que cleptomaníacos têm pais ou parentes próximos com problemas de abuso no uso de determinadas substâncias, transtorno obssesivo-compulsivo (TOC) e/ou transtornos de humor.
Cleptomaníacos normalmente roubam itens que poderiam comprar (como xampus, roupas e óculos escuros). Eles não vão às lojas com a intenção de roubar, mas ficam tensos com a possibilidade do roubo e podem não roubar se houver uma grande probabilidade de serem pegos. Normalmente, o próprio roubo alivia a tensão, mas também leva a um intenso sentimento de culpa, vergonha, ansiedade e remorso. Cleptomaníacos podem acumular itens roubados, doá-los, usá-los ou devolvê-los clandestinamente.
Geralmente, o comportamento furtivo da cleptomania ocorre juntamente com outros transtornos psicológicos, como obsessão e compulsão, transtornos de personalidade e humor. Essa observação levou alguns psiquiatras a questionarem se a cleptomania é realmente um transtorno psicológico ou uma manifestação de outras doenças. De modo geral, a cleptomania tem sido classificada como um tipo de transtorno de controle dos impulsos, como o vício em jogos de azar, piromania e tricotilomania (mania de arrancar os cabelos). Transtornos de controle dos impulsos são aqueles em que o indivíduo não consegue resistir ao impulso de algum comportamento, criminal ou não. A cleptomania é de natureza cumulativa, como outros transtornos de controle dos impulsos nos fornece alguns parâmetros de possíveis causas e de prováveis tratamentos.