Mulheres que tiveram a doença sexualmente transmissível conhecida como clamídia correm um maior risco de uma gravidez ectópica em função do duradouro efeito dessa infecção. Na gravidez ectópica a implantação do embrião acontece fora do útero, geralmente nas trompas de Falópio.

Um novo estudo fornece, pela primeira vez, evidências de como a clamídia pode aumentar o risco de uma gravidez ectópica. Pesquisadores descobriram que as mulheres que tiveram essa doença sexualmente transmissível tinham maior probabilidade de produzir uma determinada proteína em suas trompas de Falópio. O aumento da produção desta proteína – conhecida como PROKR2 – aumenta as chances de que o embrião se implante nas trompas.

“Sabíamos que a clamídia era um fator de grande risco para a gravidez ectópica, mas até agora não tínhamos certeza de como a infecção levava à implantação do embrião nas trompas”, disse Andrew Horne, do Centro de Biologia Reprodutiva de Edimburgo, no Reino Unido. O estudo foi financiado pelo Conselho de Bem-Estar da Mulher e de Pesquisa Médica e foi publicado no Americal Journal of Pathology.

A pesquisa teve com base um outro estudo realizado anteriormente que mostrou que a produção de uma proteína semelhante aumentava a probabilidade das mulheres fumantes desenvolverem uma gravidez ectópica.

A clamídia é a doença sexualmente transmissível mais comum no Reino Unido. Ela pode ser tratada, mas muitas vezes não chega nem a ser diagnosticada, pois pode não apresentar sintomas. A infecção é conhecida por causar infertilidade já que pode causar cicatrizes e obstruções nas trompas de Falópio.

“Esperamos que esse nosso estudo permita que os responsáveis pelos sistemas de saúde possam informar melhor às mulheres sobre os riscos de contrair esta infecção, fortalecendo também a importância do sexo seguro e realização de testes para clamídia”, disse Andrew Horne.

Artigos relacionados

 
Publicado em 12 de janeiro de 2011.