Uma tarefa nada fácil

Obviamente, o processo descrito na página anterior não é muito simples. Um ribossomo é uma estrutura extremamente complexa de enzimas e RNA ribossômico (rRNA) ligado em uma máquina molecular maior. Um ribossomo é auxiliado por ATP, que lhe fornece energia enquanto ele caminha pelo RNA mensageiro e junta os aminoácidos. Ele também recebe a ajuda do RNA transportador (tRNA), uma coleção de 20 moléculas especiais que agem como transportadores para os 20 diferentes tipos de aminoácidos. Conforme o ribossomo vai se movendo para o próximo códon, a molécula tRNA apropriada, já com o aminoácido correto, posiciona-se no lugar correto. O ribossomo separa o aminoácido do tRNA e o prende à cadeia crescente da enzima. O ribossomo então impulsiona a molécula de tRNA "vazia" para que ela possa ir pegar outro aminoácido que se encaixe nela.


  1. Enzima do tipo RNA polimerase (amarela) prende-se à uma fita de DNA no promotor do gene. Então ela vai até o DNA e cria uma cópia em uma fita de RNA mensageiro (mRNA).
  2. Essa fita de mRNA flutua livremente e encontra um ribossomo.
  3. Um ribossomo (verde) liga-se ao mRNA e passa por toda sua extensão para formar uma cadeia de aminoácidos para a enzima que o gene representa.
  4. A cadeia de aminoácidos se dobra na forma característica da enzima e começa a funcionar.

Como você pode ver, dentro de cada célula há uma variedade de processos que ocorrem para mantê-la viva:

  • há uma molécula muito longa e específica de DNA que define todas as enzimas de que a célula precisa;
  • há enzimas RNA polimerase ligando-se à fita de DNA nos pontos iniciais de genes diferentes e copiando o DNA do gene para uma molécula de mRNA;
  • a molécula de mRNA flutua para um ribossomo, que lê a molécula e "costura" a cadeia de aminoácidos que ela codificou;
  • a cadeia de aminoácidos flutua para longe do ribossomo e se dobra no seu formato característico para começar a catalisar sua reação específica.
O citoplasma de qualquer célula está cheio de ribossomos, RNA polimerases, moléculas de tRNA e mRNA e enzimas, todos executando suas reações de forma independente.

Contanto que as enzimas de uma célula estejam ativas e todas as enzimas necessárias estejam disponíveis, a célula continua viva. Aqui vai uma nota adicional interessante: se pegar umas células de levedura e fizer algo de ruim a elas (por exemplo, colocá-las em um processador) para liberar as enzimas, o líquido resultante ainda vai fazer as mesmas coisas que as células vivas faziam (por exemplo, produzir dióxido de carbono e álcool a partir do açúcar) por um certo tempo. No entanto, como as células não estão mais intactas e vivas, não são produzidas novas enzimas. Eventualmente, conforme as enzimas existentes vão se desgastando, o líquido pára de reagir. Nesse ponto, tanto as células como o líquido "morreram".