Capacidades curativas da graviola contra o câncer

Os brasileiros conhecem bem o sabor refrescante da graviola, uma fruta de polpa branca e casca espinhosa muito usada para a preparação de sucos, algumas vezes misturada a leite e açúcar, obtendo-se uma vitamina cremosa e encorpada.


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Mas, em alguns países, a fruta está sendo promovida como cura do câncer e estimulante do sistema imunológico, com um frasco contendo cerca de cem cápsulas de extrato concentrado de graviola sendo vendido a cerca de US$20 (aproximadamente R$50). Os fabricantes aconselham a ingestão de duas cápsulas, de três a quatro vezes ao dia. Assim, uma embalagem renderia menos de duas semanas.

Será que a graviola tem realmente um poder curativo determinante para eliminar o câncer? Ou será que as propriedades benéficas da fruta estão sendo exploradas comercialmente, sem o aval de médicos e organizações de saúde? Neste artigo, você vai conhecer mais sobre os benefícios da graviola para o organismo, assim como se há comprovações científicas de que pode ser usada contra o câncer e outras moléstias.

Resultados da graviola contra o câncer

Segundo o site do Cancer Research UK, o ingrediente ativo da graviola é um fitoquímico chamado annonaceous acetogenins, conhecido popularmente como o grupo das acetogeninas. Apesar de alguns resultados animadores terem sido obtidos em laboratórios, a entidade afirma que ainda não há evidências de que a fruta atue como cura para o câncer.

“Em estudos realizados em laboratório, extratos de graviola podem matar alguns tipos de células de câncer do fígado e de mama, resistentes a algumas drogas da quimioterapia. Mas ainda não existem estudos de larga escala realizados em seres humanos. Portanto, não sabemos ainda se pode funcionar como tratamento para o câncer ou não”.

A entidade aconselha ainda os pacientes a serem muito cuidadosos ao acreditar em informações ou pagar por qualquer tratamento alternativo para o câncer anunciado na internet.

Uma matéria publicada pelo programa Globo Repórter, da Rede Globo, fala sobre pesquisas realizadas nos Estados Unidos utilizando a planta e afirma que, em tubos de ensaio, um composto extraído da fruta matou células cancerígenas dez mil vezes mais rápido que a droga mais potente utilizada hoje na quimioterapia.


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O programa explica ainda que as indústrias farmacêuticas ainda não conseguiram sintetizar o princípio ativo da planta em laboratório, por isso, ela ainda é usada em sua forma natural.

Por muitos anos, a empresa Raintree, localizada em Austin, no estado americano do Texas, foi a maior distribuidora de graviola e remédios naturais oriundos de plantas da Amazônia para todo o mundo. A empresa encerrou suas atividades em 2012.

Após curar-se de uma leucemia fatal através de tratamentos fitoterápicos e naturais, a proprietária da empresa, Leslie Taylor, se formou como naturopata e passou a estudar o poder das plantas contra as doenças. Ela viajava para a amazônia peruana quatro vezes por ano, e a cada viagem, trazia novas plantas para tratar todo tipo de doenças.

Leslie estudou as propriedades curativas da graviola, e criou a fórmula N-Tense, composta pela fruta e por mais sete plantas medicinais brasileiras. Ela até então usava a graviola apenas para tratar parasitos, como havia aprendido com os pajés de tribos indígenas da Amazônia peruana. Mas um dia recebeu um email de um pesquisador explicando sobre os incríveis resultados da graviola contra o câncer.

Resolveu então realizar uma pesquisa aprofundada sobre as capacidades anticancerígenas da planta, e conversou com outros pesquisadores que também obtiveram bons resultados do uso de princípios ativos da graviola contra o câncer. Munida dessas informações, pôde criar sua fórmula. O N-Tense chegou a ser usado por mais de 400 médicos nos Estados Unidos.

No site da empresa, Leslie compartilha o modo de preparo de suas fórmulas, inclusive do N-Tense.

No Brasil e em outros países onde a graviola é consumida há séculos por ser nativa, a graviola, suas folhas, casca e raízes são usadas para tratar infecções por vírus e bactérias, parasitoses e outras doenças.

Possíveis problemas de saúde causados pelo consumo excessivo

O consumo normal da graviola, seja consumindo a fruta in natura, em doces, compotas, sucos etc., não causa danos conhecidos à saúde, mas especialistas alertam sobre os riscos de consumir uma alta dosagem do extrato. Algumas substâncias químicas presentes na fruta podem causar alterações nas células nervosas, causando sintomas semelhantes ao do mal de Parkinson, se consumidas em grande quantidades. O consumo exagerado da fruta também pode causar alucinações.