Cafeína: amiga ou inimiga?

O consumo de cafeína está enraizado no cotidiano de um largo número de pessoas. E, ao contrário do que muitos pensam, ele não é feito apenas através da ingestão de café. Essa substância também é encontrada naturalmente no chá e no chocolate. Além disso, está presente em bebidas artificiais como refrigerantes, energéticos e em uma série de outros itens. Entre eles estão alguns medicamentos contra a dor, por exemplo.

Acredita-se que mais de 90% das pessoas consuma diariamente alguma quantidade de cafeína. E essa substância tem um efeito imediato no organismo. Apenas alguns minutos após a sua ingestão já é possível sentir seu efeito estimulante. A vida útil de uma dose pode oscilar de quatro ou seis horas e, durante esse período, ela afeta uma série de funções do corpo, seja de forma positiva ou negativa.

Humor e apetite são afetados diretamente

Um de seus efeitos é a elevação do chamado hormônio do estresse, o cortisol. Isso pode levar a mudanças de humor e também ao aumento do apetite. Naturalmente, depois do pico positivo, há consequências como a fadiga. Por isso, muitas pessoas seguem tomando doses de café ao longo do dia para evitar a queda de rendimento nos estudos e trabalho.

O aumento dos níveis de cortisol, de forma crônica, tem sido associado ao aumento do peso e também como fator importante no desenvolvimento de doenças cardíacas e diabetes.

Pessoa fica alerta e aumenta sensação de bem-estar

O consumo de cafeína também eleva os níveis de dopamina no organismo. Essa substância é responsável pela sensação de bem-estar, que também vai embora no momento em que os efeitos da cafeína se dissipam.

A substância presente no café, chá e chocolate ainda inibe a absorção da adenosina, um hormônio que tem efeito calmante sobre o corpo. Isso pode ser positivo ou negativo, dependendo do objetivo da pessoa. Se a meta for manter-se alerta, o consumo da cafeína é indicado. Porém, a ingestão antes da hora de dormir pode interferir na qualidade do sono.

E esse é exatamente o ponto para se dizer se a cafeína pode ser uma amiga ou inimiga do organismo. A quantidade de substância consumida e o momento em que a ingestão é feita.

Notas podem aumentar com consumo da substância

Estudos psicológicos indicaram que o consumo de cafeína é capaz de melhorar a atenção. A substância aumenta, especialmente, o funcionamento da memória de curto prazo. Logo, pode ser muito útil durante períodos de estudos como facilitador na obtenção de notas maiores.

Pesquisa realizada pelo Byrd Alzheimer’s Center and Research Institute (Instituto de Pesquisa Centro de Byrd Alzheimer), em Tampa, Estados Unidos, demonstrou que a cafeína pode retardar o desenvolvimento de doenças como o mal de Parkinson e Alzheimer justamente por esse efeito no auxílio da memória de retenção e no poder de concentração.

Outro estudo, publicado no Canadian Journal of Physiology & Pharmacology (Jornal de Psicologia e Farmacologia do Canadá), garantiu ainda que a substância amplia a resistência muscular uma vez que é capaz de aumentar o metabolismo. Pode ajudar, inclusive, nas dietas para redução do tamanho da cintura se utilizada antes dos treinamentos físicos.

Suicídios caem com ingestão de cafeína

Entre os benefícios da substância está a melhora da disposição. Segundo pesquisadores da Harvard School of Public Health (Escola de Saúde Pública de Havard, Estados Unidos), a cafeína funciona como um antidepressivo leve estimulando a produção de neurotransmissores como serotonina e noradrenalina, além da dopamina. De acordo com o estudo desenvolvido, o consumo de duas a quatro xícaras de café diárias foi responsável pela queda da taxa de suicídio em 50% em comparação feita com um grupo que ingeria bebida sem cafeína.

Todavia, o outro lado da moeda é o consumo excessivo da substância, que é considerada viciante. Ingerir cafeína além da conta pode provocar nervossismo, náusea e tremores. E para quem se acostumou com o uso diário, o corte no consumo pode provocar dores de cabeça e fadiga. Um risco frequentemente associado à ingestão demasiada de cafeína é a aceleração do desenvolvimento de problemas cardíacos. Isso aconteceria pelo fato de a substância provocar o aumento da pressão sanguínea.

Indicação é o uso moderado

Por isso, a recomendação é fazer o uso cafeína de forma moderada. Isso significa, na prática, não consumir mais do que 300 mg da substância por dia. O especialista norte-americano Michel Jacobson, que trabalha no Center for Science in the Public Interest (Centro para Ciência no Interesse Público), faz a "conversão" dessa quantidade para xícaras: "a pessoa comum não deve se preocupar se beber algumas xícaras de café por dia. Porém, se estiver consumindo cinco ou dez, deve começar a repensar seu hábito. Provavelmente se tornou um viciado", disse, em entrevista ao site Diet Detective.

O principal grupo de risco no consumo de cafeína são as mulheres em seu período de fertilidade. "As mulheres que estão grávidas ou tentando engravidar devem, simplesmente, evitar a cafeína. A substância pode interferir na concepção, afirma Jacobson. Essa opinião, no entanto, não é consenso na comunidade científica. O obstetra Jonathan Scher, que tem sua clínica em Nova York, disse que as pesquisas não comprovaram que a cafeína é capaz de atravessar a placenta e chegar ao bebê. Por isso, apenas grandes quantidades pode ter efeitos nocivos nas mulheres grávidas.