Introdução

Os perigos do cigarro (em inglês) e do uso do tabaco (em inglês) à saúde são bem conhecidos. O fumo é a principal causa, possível de se evitar, de morte nos Estados Unidos e o principal colaborador de muitos tipos de cânceres, doenças cardíacas e outras condições sérias ou potencialmente fatais. Os cigarros também são caros, causam dependência, além de provocarem mau cheiro. Contudo, pesquisadores médicos começaram a mostrar interesse por um dos componentes mais ultrajantes do cigarro - a nicotina. Eles estão interessados em como essa poderosa substância viciante pode trazer benefícios à saúde.

Na última década, uma nova pesquisa forneceu mais informações sobre como a nicotina afeta o cérebro e o corpo. Algumas delas são boas - por exemplo, uma incidência menor da doença de Alzheimer (em inglês) entre os fumantes. A pesquisa mostrou que a razão disso é um composto chamado acetilcolina. A nicotina é estruturalmente semelhante à acetilcolina, um composto que ocorre naturalmente e que serve como um neurotransmissor. A nicotina se fixa aos receptores nervosos e faz as células nervosas queimarem com mais freqüência. Em um estudo, foram colocados emplastros de nicotina em um grupo de portadores de Alzheimer, enquanto outro grupo recebeu placebo. Aqueles com emplastros de nicotina mantiveram suas capacidades cognitivas por mais tempo e às vezes até recobraram a função cognitiva que tinham perdido. Um estudo de acompanhamento indicou que a nicotina também pode estimular as capacidades cognitivas em pessoas idosas que não sofrem da doença de Alzheimer, mas que sentem a típica diminuição das funções mentais associada à idade avançada.

Uma porção de tabaco
Fotógrafo: Sascha Dunkhorst | Agência: Dreamstime
A nicotina é a substância altamente viciante encontrada no tabaco que provoca uma certa agitação nos usuários. Ela também pode trazer alguns
benefícios à saúde.

A transformação com a nicotina aconteceu quando foi introduzido o emplastro de nicotina. Com o objetivo de ajudar as pessoas a pararem de fumar, o emplastro também criou uma nova maneira de estudar a droga. Rapidamente, os cientistas passaram a ter um sistema de distribuição confiável - sem os numerosos cancerígenos encontrados nos cigarros - que poderia ser padronizado em vários estudos. Um estudo de 1982 revelou que os pacientes com colite (em inglês) ulcerativa tinham menos crises quando recebiam a nicotina. Contudo, os efeitos colaterais provaram que a nicotina é um tratamento de longo prazo deficiente.

Em 2000, um estudo realizado em Stanford revelou resultados surpreendentes sobre os efeitos da nicotina nos vasos sangüíneos. Contrário à opinião popular, o estudo mostrou que a nicotina realmente estimula o crescimento de novos vasos sangüíneos. A descoberta pode levar a novos tratamentos para a diabetes. Muitas pessoas com diabetes grave possuem uma circulação ineficiente, o que pode levar à gangrena (em inglês) e, conseqüentemente, à amputação do membro.

Em 2002, pesquisadores do Scripps Research Institute publicaram um estudo que revelou uma ligação entre a nornicotina - uma substância química encontrada no tabaco e também criada quando o corpo quebra a nicotina - e uma redução dos sintomas da doença de Alzheimer. Entretanto, a nornicotina é tóxica, levando à necessidade de um substituto não-tóxico.

­­Em 2006, os cientistas de Duke descobriram que as pessoas com depressão que foram tratadas com emplastros de nicotina apresentaram uma diminuição dos sentimentos depressivos. Os resultados talvez não foram surpreendentes para uma droga associada à provocação de uma "agitação". Contudo, a pesquisa também mostrou uma ligação direta entre a nicotina e um aumento da liberação de dopamina e serotonina, dois neurotransmissores vitais. A falta de dopamina ou serotonina é uma causa comum da depressão.

Esses estudos apontam para aspectos potencialmente positivos da nicotina, mas o que podemos fazer com essas informações? Certamente, as pessoas não deveriam fumar em prol da saúde. Leia mais para conhecer a pesquisa sobre a droga associada à nicotina.