AVC e preconceito

O acidente vascular cerebral é uma doença que assusta os pacientes e seus familiares porque muitas vezes a pessoa perde parte da consciência, da capacidade de se expressar e de ser autônoma.

Mesmo o profissional da saúde se deixa atingir pelas seqüelas do paciente. Existe um preconceito em relação à atenção médica e ao tratamento do paciente com acidente vascular cerebral, ou seja, o paciente é deixado sem tratamento por acreditar-se que não há nada a fazer. Com isso, não há investimento na reabilitação.

Na verdade, é uma fenômeno de transferência em que o profissional da saúde se vê da posição do paciente e não consegue suportar que alguma coisa semelhante aconteça com ele. O paciente com AVC perde o controle de si próprio, a independência, às vezes a própria lucidez. Freqüentemente, há perda do controle de funções autonômicas, como continência esfincteriana, necessitando de cuidados de enfermagem permanentes.

O acidente vascular cerebral foi por muito tempo considerado como uma doença sem tratamento. As unidades coronarianas foram criadas há muitas décadas e só nos últimos anos surgiram as “Stroke Units” especializadas no tratamento do derrame.

Nas últimas décadas o advento dos exames de imagem mais sofisticados e os novos tratamentos com antiagregantes plaquetários e anticoagulantes trouxeram uma nova perspectiva no tratamento e na prevenção dessa doença.