Embora também seja uma doença cardiovascular, o tratamento do acidente vascular cerebral é mais complexo do que o do infarto do miocárdio. O derrame altera o funcionamento cerebral, e, muitas vezes, o próprio paciente, já incapacitado pela doença, depende de outras pessoas para conseguir o tratamento adequado. Outro ponto é que o tratamento do infarto do miocárdio é mais lucrativo em termos médicos em relação ao acidente vascular cerebral. Os procedimentos empregados no tratamento da doença caronariana (infarto do miocárdio e angina do peito) estão bem determinados e se equiparam a uma linha de produção industrial enquanto o tratamento do acidente vascular cerebral é mais artesanal.
O “Estudo de Mortalidade e Morbidade de Acidente Vascular Cerebral” (EMMA), iniciado em 2006 em São Paulo com o intuito de conhecer melhor o acidente vascular cerebral e contribuir para uma melhora no seu tratamento, já mostra alguns dados muito interessantes.
Uma das observações mais importantes é a de que ocorrem mais derrames nos dias com extremos de temperatura, sejam muito altas, sejam muito baixas. O menor pico de mortes, nos dias com temperatura amena, em torno de 22 graus Celsius. Outro aspecto importante é a distribuição do acidente vascular cerebral de acordo com a raça. Até o momento após dois anos do início do estudo, constatou-se que o índice de mortalidade é maior entre os negros. As causas ainda não foram determinadas de forma precisa.
Levando em consideração que a população de idosos no Brasil irá crescer nos próximos anos e que a incidência de acidente vascular cerebral aumenta com a idade, o EMMA permitirá que se dimensione o papel do acidente vascular na mortalidade por faixa etária, possibilitando uma previsão mais acurada do número de casos no futuro. O estudo já mostra que a seqüela motora (perda de movimentos principalmente nos braços e pernas) é a mais evidente, mas pouco se fala nos problemas decorrentes das dificuldades de deglutição que acontecem no paciente com AVC e que aumentam o risco de aspiração com aparecimento de pneumonias que podem levar à morte. Outras seqüelas importantes são a perda da capacidade de se comunicar (afasia) e os quadros demenciais nos pacientes que já apresentaram vários derrames.
Resumindo, o acidente vascular cerebral é uma doença prevenível, e o ponto fundamental é o tratamento da pressão alta. Medir a pressão e mantê-la controlada é um tipo de tratamento que pode ser feito em qualquer posto de saúde, clínicas de planos de saúde e consultórios médicos. A pressão alta não tem cura e o paciente tem que mudar seu estilo de vida e talvez tomar remédios permanentemente.