Tipos de mortalidade por doença cerebrovascular

Estudo de 2004 realizado em São Paulo avaliou o padrão de mortalidade por doença cerebrovascular estratificado por sexo e idade, categorizada em faixas etárias decenais dos 30-39 anos até os 70-79 anos no período de 1997-2003. A proporção de mortalidade por acidente vascular cerebral foi maior entre as mulheres de meia idade. A doença cerebrovascular foi a causa mais comum de morte por doença cardiovascular acima dos 60 anos. O acidente vascular cerebral hemorrágico foi a causa mais freqüente de mortalidade por doença cerebrovascular para ambos os gêneros dos 30 aos 59 anos. A hemorragia meníngea (subaracnóidea) foi causa muito mais freqüente de mortalidade entre as mulheres do que entre os homens. A razão entre morte por doença cerebrovascular isquêmica em relação à hemorrágica foi de 0,59 para os homens e de 0,56 para as mulheres. O estudo conclui que a mortalidade por acidente vascular cerebral hemorrágico persiste sendo muito elevada nessa população comparada à de outros países do mundo.

Dados de 242 autópsias de idosos internados em hospitais de Belo Horizonte no período de 1976-1997 mostraram que 71,9% dos pacientes apresentavam morte secundária a acidente vascular cerebral. Outro estudo baseado em autópsias avaliou a diferença de mortalidade entre homens e mulheres em relação à morte súbita cardiovascular, comparando os acidentes vasculares cerebrais isquêmicos e hemorrágicos. Foram analisadas 970 autópsias entre 3.802 mortes não-violentas (448 classificadas como morte súbita, 296 indeterminadas e 226 que não preencheram o critério para morte súbita) em indivíduos entre 30-69 anos. O critério adotado para diagnóstico de morte súbita foi definido como morte que ocorre instantaneamente ou dentro de 24 horas do início dos sinais e sintomas.

Todas as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 69% das mortes súbitas e todos os tipos de acidente vascular cerebral, por 14%. As mortes súbitas em função de todos os tipos de acidente vascular cerebral (20% nas mulheres e 11,1% nos homens) e por acidente vascular cerebral hemorrágico (15,6% nas mulheres e 7,9% nos homens) foram significativamente mais freqüentes entre as mulheres quando comparadas aos homens. Entre as causas de acidente vascular cerebral hemorrágico, a mais freqüente entre as mulheres foi a hemorragia meníngea (subaracnóidea) (5,6% em mulheres e 1,0% nos homens). O estudo conclui que os acidentes vasculares hemorrágicos se apresentam clinicamente nas mulheres como morte súbita, sendo sempre em maior proporção nas mulheres do que nos homens.

A doença de Chagas é uma causa específica de doença cerebrovascular em pacientes com insuficiência cardíaca. De 5.447 autópsias realizadas em hospital universitário da Bahia ,em um período de 45 anos, houve 524 casos de insuficiência cardíaca por doença de Chagas. A freqüência de acidente vascular cerebral isquêmico foi de 17,5% nesses pacientes. Na doença de Chagas o sistema nervoso do coração é destruído pelo tripanossomo (parasita que causa a doença de Chagas). Sem sistema nervoso, a musculatura do coração deixa de se contrair como seria esperado, e algumas partes dessas paredes podem ficar imóveis ou se contrair muito pouco. O sangue passa a se acumular junto a essas paredes e podem formar coágulos dentro do ventrículo esquerdo. Alguns desses coágulos podem se misturar ao sangue e ir para as carótidas, artérias que irrigam o cérebro, e bloquear as artérias menores que são ramos da carótida e levam o sangue oxigenado para as várias partes do cérebro.