A incidência do acidente vascular cerebral no Brasil

Autor: 
Isabela Benseñor,Paulo Lotufo
acidente vascular cerebral no Brasil

O acidente vascular cerebral é uma das doenças que mais matam no Brasil e no mundo. Em 2008, estima-se que seja responsável por cerca de 10% do total de mortes no mundo, com aproximadamente 6 milhões de óbitos, concentrados principalmente em países pobres. Em 2015 esperam-se 18 milhões de casos novos de acidente vascular cerebral e, em 2030, 23 milhões de novas ocorrências.

Causas de morte no Brasil
Os gráficos acima mostram as causas de morte no início do século 20 comparada ao início do
século 21 no Brasil mostrando exatamente o aumento das mortes por
doença cerebrovascular

hahaha
Os gráficos cima, mostram as causas de mortalidade no Brasil em 2004 (superior) e as doenças cardiovasculares, os subtipos de doença como a cerebrovascular e a coronariana (inferior )

No Brasil em torno de 40% das mortes são por doença cardiovascular. E, predomina a mortalidade por acidente vascular cerebral em relação à mortalidade por doença coronariana (infarto do miocárdio). Os números atingem em torno de 100 mil vítimas por ano. Além das mortes, o acidente vascular cerebral pode levar a seqüelas graves que atingem em torno de 50% dos sobreviventes a um derrame. Outro ponto a ser destacado é que parte considerável da morte por acidente vascular cerebral no Brasil acontece em uma faixa etária precoce - abaixo do 65 anos de idade. Isso leva a um prejuízo econômico muito grande por morte ou incapacitação de uma pessoa produtiva.

Mortalidade por AVC na America Latina
O gráfico acima mostra a mortalidade por doença
cerebrovascular nos países da
América Latina.
O Brasil é o país com mais mortes por
acidente vascular
cerebral na região

Entre os estados brasileiros, São Paulo foi o primeiro estado onde a mortalidade por doença isquêmica coronariana ultrapassou a mortalidade decorrente da doença cerebrovascular. Hoje, a mortalidade por doença coronariana é maior no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e, novamente, São Paulo.

Nas nove áreas metropolitanas do país, a mortalidade por doença isquêmica coronariana ultrapassa a mortalidade por doença cerebrovascular somente nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Esses dados mostram que a mortalidade por doença cerebrovascular no país ainda é muito elevada superando a mortalidade por doença coronariana ao contrário do que acontece nos países ricos.

Em São Paulo, nas últimas décadas, houve uma queda da mortalidade por doença cardiovascular caracterizada por diminuição simultânea nos níveis de mortalidade por doença isquêmica coronariana e doença cerebrovascular. A queda da mortalidade por doença cerebrovascular foi descrita em outros países do mundo ocidental (onde a doença isquêmica coronariana sobrepuja a doença cerebrovascular) e no Japão (onde a doença cerebrovascular é mais freqüente do que a doença isquêmica coronariana).

A explicação mais provável para esse padrão seria a distribuição da hipertensão arterial no mundo, fator de risco principal para a doença cerebrovascular. A queda da mortalidade por doença cerebrovascular estaria associada a um aumento da capacidade diagnóstica, melhora do acesso ao tratamento e melhor controle da pressão arterial (pressão alta).