Apendicite

A apendicite - a doença mais comum do apêndice - desenvolve-se quando se forma uma obstrução nesse órgão. Como o apêndice fica fechado em ambas as extremidades com uma abertura ao longo da seção intermediária, qualquer obstrução impede rapidamente o fluxo do sangue e provoca a morte do tecido. Uma obstrução pode ser resultado de matéria fecal acumulada ou uma doença chamada hiperplasia linfóide.

A hiperplasia linfóide pode ser resultado da doença de Crohn, de síndrome do intestino irritável (em inglês), de mononucleose (em inglês), de sarampo (em inglês) ou de infecções gastrintestinais. Na hiperplasia linfóide, o apêndice produz uma grande quantidade de células (glóbulos brancos, também chamados de leucócitos), o que é desencadeado por um estímulo infeccioso gerado por essas doenças. Essas células criam uma obstrução no órgão, fazendo-o se inflamar, o que compromete o fluxo de sangue para a área. A perda de fluxo sangüíneo provoca a morte do tecido e leva à supuração do apêndice.

Quanto tempo leva para um apêndice supurar? O tempo entre a formação de uma obstrução e o ponto em que o apêndice realmente perfura - ou supura - normalmente é de cerca de 72 horas. Durante esse tempo há vários sintomas que indicam que algo não está certo. O primeiro sintoma normalmente é uma dor indefinida ao redor do umbigo. Conforme a inflamação se desenvolve, a dor se move em direção ao lado direito do corpo - normalmente na direção do quadril. Outros sintomas que se desenvolvem nas 24 horas seguintes podem incluir náusea, vômito, febre e algo chamado "sensibilidade de rebote". Em alguns casos, o paciente também pode sentir o abdome inchado, dor nas costas e até mesmo prisão de ventre.

Descompressão brusca

Um sintoma da apendicite é a descompressão brusca. Para diagnosticar a sensibilidade de rebote, o médico faz pressão em um ponto do abdome e depois solta rapidamente (daí o nome descompressão brusca ou, como os médicos abreviam, DB positivo ou negativo). Se o paciente se queixar de dor mais forte quando a pressão é removida, caracteriza-se a descompressão brusca positiva. A sensibilidade de rebote é um sintoma de uma variedade de doenças. Além de apendicite, ela pode indicar também outras doenças como hepatite, problemas na trompa de Falópio, doença diverticular, hérnia estrangulada, colecistite e outras infecções abdominais. Os médicos usam testes adicionais para determinar a causa da descompressão brusca.

O tempo é crítico ao se lidar com uma apendicite. Se alguém acredita que está com apendicite, deve ir ao pronto-socorro imediatamente.  Provavelmente será feita uma tomografia computadorizada (varredura por TC) ou um exame de ultra-som para verificar a situação do apêndice. Os exames auxiliares reduziram bastante o número de apendicectomias realizadas em pessoas que apresentavam outros diagnósticos que não a apendicite. Na verdade, cerca de 20% das apendicectomias envolvem a remoção de um apêndice saudável.

O que acontece se um apêndice supura? É claro que o tratamento mais eficaz para a apendicite é retirar o apêndice antes que ele se rompa. Logo que o apêndice se rompe, ele derrama fluidos inflamatórios e bactérias dentro da cavidade abdominal. Se o paciente tiver um apêndice rompido antes da cirurgia, o risco de complicações aumenta em dez vezes. Normalmente, a apendicectomia é realizada como uma cirurgia de laparoscopia, mas, em alguns casos, uma cirurgia de apêndice convencional, mais invasiva, pode ser necessária.

Os idosos e os jovens têm mais probabilidade de sofrer complicações decorrentes de apendicite. Ambos os grupos têm probabilidade de ter sintomas não tradicionais, tornando ainda mais difícil o diagnóstico. Pacientes jovens apresentam com freqüência diarréia e vômitos, enquanto pacientes idosos normalmente se queixam de menos dor. A dificuldade em diagnosticar a apendicite pode levar à peritonite - ou formação de abscessos dentro do abdome -, o que pode provocar insuficiência múltipla de órgãos e morte.

As apendicectomias são a emergência cirúrgica mais comum envolvendo o abdome [fonte: Câmara Nacional de Informações Sobre Doenças Digestivas (em inglês] e cerca de 20% dos pacientes nem mesmo percebem que têm apendicite até a ruptura de seu apêndice [fonte: Sistema de Saúde da Universidade de Michigan (em inglês]. Devido aos sintomas, os pacientes podem ser erroneamente diagnosticados com gastroenterite (em inglês). Os sintomas de cada uma dessas doenças são parecidos, no entanto, os médicos tratam uma gastroenterite repondo fluidos perdidos, o que não funciona na apendicite.

Embora a apendicite seja a enfermidade mais comum do apêndice, não é a única. Leia a próxima página para saber o que mais pode acontecer de errado com o apêndice.