Os antioxidantes melhoram a saúde

Visto que os antioxidantes agem contra os efeitos prejudicais dos radicais livres, poderíamos pensar em consumir o máximo possível deles. No entanto, mesmo sendo componentes necessários para uma boa saúde, ainda não está claro se os suplementos devem ser tomados. E se devem, qual é a quantidade a ser consumida. Há algum tempo pensava-se que os suplementos eram inofensivos, mas sabe-se agora que o consumo de altas doses de antioxidantes pode ser prejudicial devido ao alto potencial de toxicidade e interação com medicamentos. Lembre-se: os antioxidantes por si só podem agir como pró-oxidantes em níveis elevados.

Então, existe alguma base científica para todo este alarde feito sobre os antioxidantes? Os estudos experimentais realizados até agora tem resultados distintos, abaixo relacionados. 

  • O Estudo de Prevenção do Câncer com Betacaroteno e Alfa Tocoferol (ATBC), envolveu homens finlandeses fumantes e consumidores de álcool. Os voluntários receberam doses de 20 mg de betacaroteno sintético ou 50 mg de vitamina E ou uma combinação dos dois ou um placebo. Depois de oito anos, os voluntários que tomaram vitamina E tiveram 32% menos diagnósticos de câncer de próstata e 41% menos mortes por câncer de próstata comparados aos homens que não tomaram vitamina E. Entretanto, após apenas quatro anos, houve 16% mais casos de câncer de pulmão e 14% mais mortes por câncer de pulmão no grupo que tomou somente o betacaroteno.

  • No experimento da eficácia do Retinol e do Carotenóide (CARET), os voluntários eram fumantes ou trabalhadores expostos ao amianto. Eles receberam uma combinação de 30 mg de betacaroteno sintético e 25 mil UI (unidades internacionais) de retinol (vitamina A pré-formada) ou placebo. Este estudo foi interrompido cedo porque os resultados preliminares mostraram um aumento de 28% na taxa de câncer de pulmão no grupo que tomou betacaroteno comparado ao grupo que tomou placebo.

  • Um estudo feito sobre a saúde (PHS) de 22 mil médicos, dos quais 11% eram fumantes e 40% ex-fumantes, não mostrou um efeito protetor nem um efeito tóxico após 12 anos de acompanhamento. Os participantes foram aleatoriamente escolhidos para receber ou 50 mg de betacaroteno em dias intercalados ou placebo. Um segundo estudo PHS está em andamento para testar o betacaroteno, a vitamina E, a vitamina C e a multivitamina com ácido fólico em homens saudáveis com 65 anos ou mais para o diminuir o declínio cognitivo.

  • Um estudo realizado em 1997 e publicado no Jornal da American Medical Association (em inglês) (Associação Médica Americana) descobriu que 60 mg de vitamina E por dia reforçaram o sistema imunológico em um grupo de pacientes saudáveis com 65 anos e 200 mg geravam uma melhora maior após quatro meses. Entretanto, 800 mg de vitamina E resultaram em uma imunidade pior em relação a que eles teriam se não tivessem recebido nenhuma dose.

  • Em 2001, o Instituto Nacional da Saúde promoveu uma pequisa médica sobre as doenças dos olhos em relação à idade (AREDS). Um ensaio clínico randomizado e controlado, mostrou que suplementos em altas doses como 500 mg de vitamina C, 400 UI de vitamina E, 15 mg de betacaroteno, 80 mg de zinco e 2 mg de cobre reduziram significativamente o risco da degeneração macular relacionada a idade avançada (AMD) comparado ao placebo. Além disso, o grupo que tomou antioxidante e zinco teve uma significativa redução nas taxas de perda de acuidade visual.

Existem várias explicações possíveis para estes resultados:

  • a quantidade de antioxidantes nos suplementos talvez seja tão alta quando comparada com aquela na dieta que leva a um efeito tóxico;
  • outros nutrientes podem estar presentes nas frutas e vegetais que funcionam em sincronia com os antioxidantes e são necessários para fornecer um efeito protetor;
  • os participantes do estudo eram muito idosos para começar a tomar antioxidantes ou tinham estilos de vida tão prejudiciais à saúde que os antioxidantes não conseguiam reverter o quadro.

Mais do que isso, inúmeros estudos observacionais, em que os pesquisadores procuram por associações sem fornecer aos participantes os suplementos, têm associado dietas ricas de frutas e vegetais antioxidantes com um risco menor de doenças como o câncer, doença coronariana, derrame, catarata, mal de Parkinson, Alzheimer e artrite. Então, apesar dos achados decepcionantes dos experimentos, os cientistas estão convencidos dos vários benefícios em potencial das dietas antioxidantes ricas em frutas e verduras (mas lembre-se que os antioxidantes devem ser ingeridos in natura como parte da dieta). Eles simplesmente ainda não conseguiram calcular exatamente como os diferentes sistemas antioxidantes funcionam juntos no nosso corpo para nos proteger dos danos dos radicais livres.