Ansiedade pelo toque do telefone e suas conseqüências psicossociais

Se telefones celulares e BlackBerries tornaram-se tão populares que algumas pessoas imaginam que estão recebendo chamadas, é possível que os usuários tenham se tornado dependentes demais destes dispositivos? Que outros efeitos psicológicos têm estes dispositivos sobre nós?

O HowStuffWorks não é o primeiro a fazer esta pergunta. Em seu estudo sobre a ansiedade pelo toque do telefone, David Laramie descobriu uma conexão entre o uso do telefone celular e as experiências com a vibração/toque fantasma. Ele descobriu que dois terços das pessoas que analisou em seu estudo diziam que vivenciavam a ansiedade pelo toque do telefone. Aquelas que vivenciavam mais o fenômeno - 67% da população entrevistada - também eram as que mais faziam uso do telefone. Elas o utilizavam durante mais minutos, tinham contas telefônicas mais altas, tendiam a ser mais jovens e também enviavam mais mensagens de texto [fonte: Newswise (em inglês)].

Um homem utiliza seu BlackBerry em uma conferência
Cortesia de Stan Honda/AFP/Getty Images
O estudo de David Laramie descobriu que as pessoas que preferem enviar mensagens de texto são mais solitárias do que aquelas que preferem realizar uma chamada

O fato de que as pessoas que passam mais tempo utilizando seu telefone vivenciarem a ansiedade pelo toque do telefone mais freqüentemente acaba não sendo uma surpresa muito grande. Entretanto, há um outro aspecto do estudo de Laramie que pode ser mais revelador. Ele descobriu que as pessoas que preferiam enviar mensagens de texto às outras tendiam a ser mais solitárias e socialmente ansiosas.

Isso quer dizer que um modo como uma pessoa utiliza seu telefone pode predizer seu tipo de personalidade? Possivelmente. Um outro estudo mostra que os telefones podem afetar diretamente a personalidade de uma pessoa. Especificamente, dispositivos wireless (sem fios) podem nos tornar menos felizes.

Em 2005, a psicóloga Noelle Chesley conduziu um estudo com 1.367 homens e mulheres que trabalham, têm famílias e utilizam telefones celulares. Ela descobriu um aumento no estresse e uma diminuição no nível de satisfação familiar tanto entre homens quanto mulheres que utilizam telefones celulares. Chesley acredita que isso se deve ao que ela e outros pesquisadores chamam de falta de clareza nas tradicionais linhas divisórias entre trabalho e vida familiar.

Esta falta de clareza se dá quando a permeabilidade dos limites de papéis ocorre. Sob esta condição, o papel de uma pessoa em uma parte de sua vida mescla-se com um outro papel. Por exemplo, uma mulher poderia receber uma chamada no trabalho de um de seus filhos procurando pelo controle remoto da TV em casa. Neste caso, o papel de mãe da mulher infiltrou-se em seu papel separado como funcionária.

A interferência da vida familiar no trabalho tem muito mais probabilidade de ocorrer para as mulheres do que para os homens, de acordo com o estudo de Chesley. Entretanto, homens e mulheres sofrem, da mesma maneira, com várias interferências do trabalho na vida familiar e o estudo aponta para os telefones celulares como o motivo pelo qual o trabalho acaba sendo um intruso na vida familiar. As descobertas de Chesley mostram que, enquanto as pessoas com telefones celulares sofrem de aumento de estresse e diminuição de satisfação familiar, o e-mail - uma forma mais "passiva" de comunicação - não produz os mesmos resultados. Isso sugere que os telefones celulares são mais intrusivos do que outras formas de comunicação e nossa felicidade sofre como resultado desta intrusão.

Assim, da próxima vez que você ouvir seu telefone tocar, mas ninguém estiver chamando, ou sentir seu telefone vibrar em seu bolso quando, na verdade, ele está em outra sala, recue por um momento. Talvez seja o momento de ponderar sobre a possibilidade de que você deveria tirar umas férias - em que deixe o celular em casa.

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