Seu telefone celular toca. Você vai atendê-lo, mas não há ninguém do outro lado da linha. Curiosamente, não há nenhuma chamada perdida, além disso, você percebe, depois de um momento, que confundiu o gorjear de um pássaro com o toque de seu telefone celular. O que é bizarro é que essa não é a primeira vez que isso acontece com você. Você provavelmente não está insano - em vez disso, está sofrendo do que veio a ser chamado de ringxiety (ansiedade pelo toque do telefone).
![]() Cesar Rangel/AFP/Getty Images Nossa crescente dependência de tecnologia pessoal nos levou a desenvolver neuroses como a ringxiety e ao vício em "crackberry" ou blackberrymania |
Não é de se surpreender que no mundo crescentemente sem fio e conectado, a humanidade começasse a sofrer de neuroses tecnológicas. Invenções eletrônicas tornaram-se parte das vidas diárias das pessoas no mundo todo. A ansiedade pelo toque do telefone está entre as primeiras destas novas neuroses a surgirem, juntamente com o vício em internet e o fenômeno de "crackberry" (blackberrymaníaco) - uma necessidade compulsiva de uma pessoa em utilizar e verificar seu dispositivo sem fio BlackBerry (um aparelho celular que possui funções de editor de textos, tem acesso à internet e e-mail) . Embora o vício pelo BlackBerry seja um comportamento compulsivo, a ansiedade pelo toque de telefone pode ser um resultado dessa compulsão e de outras similares.
A ansiedade pelo toque do telefone, primariamente alcunhada pelo psicólogo David Laramie, é exatamente o que soa ser: confundir o som de um telefone celular tocando com outro som similar a este. Visto que nenhum dano está feito, à parte de ser um pouco incômodo - especialmente se uma pessoa luta para localizar seu telefone - a maior parte das pessoas parece considerar a ansiedade pelo toque do telefone como uma curiosidade ou um fato da vida sem fio. Contudo, a origem exata desta alucinação ainda tem de ser exatamente determinada.
Alguns pesquisadores acham que a ansiedade pelo toque do telefone surge a partir de um constante estado de prontidão que poderia ser desenvolvido em usuários de telefones celulares. Antes do advento dos telefones sem fios, ninguém esperaria um telefonema enquanto estivesse dirigindo seu carro, fazendo compras em uma mercearia ou dançando em uma discoteca. Com os telefones celulares, entretanto, há um potencial para se receber uma chamada a qualquer momento. Por causa disso, é possível que nossos cérebros estejam condicionados a esperarem uma chamada constantemente - e, quando a pessoa ouve um tom que a lembre do toque de seu celular, acreditará que é este o caso.
Outros acreditam que a ansiedade pelo toque do telefone - ou, neste caso, o toque fantasma - simplesmente surja da confusão devido à freqüência da maior parte dos ringtones (toques) de celulares comuns e à localização de nossos ouvidos. A maior parte dos ringtones de celulares padrões é reproduzida a uma freqüência de cerca de 1.000 hertz. Seres humanos são particularmente sintonizados para captar sons dentro desta faixa de frequüência, especialmente se forem de tom único, como a maioria dos toques é. Entretanto, devido ao fato de as pessoas terem ouvidos nos dois lados de suas cabeças, é difícil para elas distinguirem a fonte de um som, especialmente nesta freqüência, por exemplo, de um telefone ou de um pássaro lá fora. Para alguns, isso explica o fenômeno do toque fantasma. Isso não é verdadeiro em relação a toques com múltiplos tons, como, por exemplo, uma versão em MP3 de uma canção popular.
Aqueles que optam por ajustar o telefone para "vibrar" em vez de "tocar" não estão imunes a isso também. Até mesmo mais estranho do que o toque fantasma é o fenômeno da vibração fantasma. Isso faz parte também da ansiedade pelo toque do telefone que David Laramie estudou, embora menos idéias em relação a suas origens tenham sido sugeridas. Ela é similar ao toque fantasma, mas a vibração fantasma é uma alucinação física em vez de ser uma alucinação auditiva.
Também é similar a um outro fenômeno bem documentado, chamado de síndrome do membro fantasma. Neste problema reconhecido cientificamente, amputados - pessoas que tiveram seus membros removidos - relatam dor em membros que não mais estão conectados a seus corpos. É possível que as pessoas tenham ficado tão ligadas a seus aparelhos de telefone celular de modo que sejam estes como seus próprios braços e pernas?
Embora a ansiedade pelo toque do telefone seja pouco mais do que um incômodo, pode dizer muito sobre as mentes daqueles que a vivenciam. Continue com a leitura para explorar a psicologia por trás da sociedade sem fio.