Periodicamente o mundo da moda se agita com a notícia de alguma modelo que morreu de complicações associadas à anorexia nervosa. Em 2006, a modelo Ana Carolina Reston Macan, de 21 anos, morreu vítima de anorexia nervosa, por uma infecção urinária que se transformou em uma infecção generalizada (septicemia). A causa da infecção foram cálculos renais causados pela ingestão insuficiente de água. O quadro se agravou e evoluiu para uma infecção generalizada. Ela tinha cerca de 40 kg - e 1,74 m de altura - quando foi internada.
![]() Divulgação Ana Carolina Reston |
Em 2006 e depois em 2007, duas irmãs uruguaias, Luisel e Eliana, ambas modelos, morreram em um intervalo de seis meses. As duas, em conseqüência da anorexia nervosa.
Em 1975 a cantora Karen Carpenter, que fazia dupla com seu irmão Richard, no The Carpenters, grupo famoso na década de 70, foi diagnosticada com anorexia nervosa. Ela era muito magra e vivia em constante dieta. Ela lutou contra a doença, fez vários tratamentos e chegou a apresentar melhora importante no início dos anos 80. Morreu em 1983, aos 32 anos, após ganhar três Grammy's, oito Álbuns de Ouro (Gold Albums), dez Gold Singles e cinco Álbuns de Platina (Platinum Albums). Ela era um exemplo para as adolescentes da época que sonhavam em ser como ela.
![]() Divulgação Karen e Richard Carpenter |
Karen foi uma adolescente gordinha que começou a fazer dieta em 1967 com o objetivo de perder aproximadamente 10 kg. Em 1975 ela pesava em torno de 36 kg tomando hormônios tireoidianos diariamente e induzindo vômito para manter esse baixo peso. Após desmaiar durante um show, ela foi internada e começou a se tratar. Mesmo assim, alguns meses depois ela foi encontrada desmaiada em sua casa. Morreu no hospital uma hora depois de ser internada, pesando 47,5 kg.
Casos com final feliz
A história da britânica Lauren Bailey está acessível na Internet e é um exemplo de que há casos com final feliz. Ela começou a perder peso na adolescência. Aos 26 anos chegou a pesar 30 kg e caminhava mais de 12 horas por dia para perder peso. Quando não caminhava, ficava em pé, sempre tentando gastar energia para evitar ganhar peso. Passou por duas internações hospitalares em mais de dez anos de luta contra a doença.
Aos 14 anos, quando alguém disse que ela deveria começar uma dieta, começou a fazer regime e não parou mais. Conta que teve diagnóstico de depressão, ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo durante o período da doença. Acordava muito cedo e começava a andar sem parar até tarde da noite para gastar energia. Porém, ao ler um artigo sobre anorexia em uma revista, percebeu que tinha a doença.
Lauren teve alta da segunda internação hospitalar em agosto de 2007 quando percebeu que era muito importante tentar superar a doença, único jeito de salvar sua vida. Atualmente ela continua lutando contra a doença. Já está com o peso normal, e agora resolveu contar sua experiência para jovens com a doença, tentando mostrar que há luz no fim do túnel.
O caso de Ana Carolina Reston Macan gerou polêmica no mundo da moda. Em 2006, logo após a sua morte, a Semana de Moda de Madrid proibiu modelos com índice de massa corpórea (IMC) inferior a 18 kg/m² de desfilar nas suas passarelas (o IMC é calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado). Esse foi um incentivo para que as modelos se alimentassem melhor e os estilistas passassem a criar roupas para mulheres com peso normal. Mas durou pouco a proibição no mundo da moda internacional. No ano seguinte, na London Fashion Week de 2007, os estilistas continuaram insistindo nas modelos muito magras, o que causou uma série de comentários negativos no mundo todo. |