Os cirurgiões da Grécia antiga (em inglês) e Roma (em inglês) resolviam o problema da hemorragia usando a técnica de amarrar, ou ligar, os vasos sangüíneos durante a cirurgia. Por incrível que pareça, suas técnicas aparentemente ficaram esquecidas por muitos séculos. Nesses períodos, os vasos sangüíneos eram cauterizados com ferro quente ou óleo fervente.
![]() ©iStockphoto.com/Tomasz Kozlowski Os cirurgiões de lesões traumáticas tentam salvar da amputação uma perna infeccionada |
Os avanços nas cirurgias de amputação acompanharam as grandes guerras. As técnicas introduzidas pelo cirurgião militar francês Ambroise Pare são um bom exemplo disso. Devido ao aumento da pólvora e das armas de guerra (em inglês) associadas a ela, Pare precisava de métodos mais eficazes para tratar os soldados com lesões devastadoras causadas nos campos de batalha. Dentre suas contribuições importantes, Pare reintroduziu a técnica de amarrar (ligar) os vasos sangüíneos, em 1529.
Outros avanços notáveis da história incluem a introdução do torniquete, em 1674, que permitia mais controle do fluxo sangüíneo durante o procedimento de amputação, e mais uma inovação que os pacientes certamente apreciaram - a anestesia. É difícil imaginar, mas os gases anestésicos foram desenvolvidos somente após 1840.
Esses desenvolvimentos foram usados amplamente durante a Guerra Civil Americana (em inglês), em que foram realizadas mais de 50 mil amputações. As balas Minié dessa época esmigalhavam o tecido como nenhuma outra arma, explicando por que 75% das cirurgias de guerra eram amputações.
Pelos padrões de hoje, as amputações em campo de batalha da Guerra Civil Americana eram primitivas. Primeiramente, o conceito de manutenção de um ambiente estéril, sem germes, não tinha sido desenvolvido. Os cirurgiões sujos de sangue geralmente operavam sem lavar muito bem as mãos e dificilmente lavavam seus instrumentos entre as cirurgias. O foco era ser rápido. Para atender o máximo de pacientes, as cirurgias eram feitas com rapidez - geralmente, em cerca de 10 a 15 minutos.
O cirurgião neutralizava o paciente com um pano ensopado de clorofórmio e, rapidamente, aplicava um torniquete acima do local da lesão antes de cortar a pele e o músculo com uma faca afiada. Os ossos, então, eram serrados, e os vasos sangüíneos, suturados. Finalmente, a pele era fechada ao redor do local da amputação, ficando um buraco por onde o líquido era drenado. De forma incorreta, os membros amputados eram descartados, formando grandes pilhas.
As taxas de mortalidade após as cirurgias eram desanimadoras para os padrões de hoje. Na verdade, um em cada quatro pacientes morria depois de uma amputação típica, mas a taxa de mortalidade dobrava se a cirurgia não fosse realizada nas primeiras 24 horas. As mortes eram causadas, em parte, por infecções bacterianas chamadas de "febres cirúrgicas", resultado das cirurgias não-estéreis. Só depois da Guerra Civil o cirurgião britânico Joseph Lister progrediu no conceito de cirurgia estéril. No entanto, milhares de vidas foram salvas pelos esforços dia e noite dos cirurgiões da Guerra Civil Americana.
Desde os tempos mais remotos, foram feitos grandes avanços nas técnicas de amputação. Na próxima página, descubra como os cirurgiões e pacientes se preparam para a cirurgia de amputação atual.