Detecção e prevenção de amnésia

Autor: 
Cristen Conger

Para Clive Wearing, tudo começou com uma cefaléia. Alguns dias depois, ele não conseguia se lembrar do nome de sua filha. Uma semana depois, a encefalite (em inglês) por herpes passou a destruir suas memórias de curto e longo prazos. Embora a amnésia possa parecer uma doença óbvia, se ela for conseqüência de uma infecção viral, existem sintomas específicos a serem cuidados.

De acordo com a Mayo Clinic (em inglês), as pessoas com suspeita de ter amnésia neurológica são classificadas pela incapacidade ou dificuldade de:

  • formar novas memórias;
  • lembrar acontecimentos passados;
  • perceber acontecimentos imaginários que passam a ser considerados  como fatos, também chamados de confabulações;
  • apresentar movimentos coordenados ou evitar tremores;
  • apresentar-se orientados e lúcidos.

Questionamento verbal pode ser útil para uma avaliação inicial, mas a tecnologia de imagens do cérebro também é benéfica, particularmente para pessoas que tenham tido lesões cerebrais. Imagens de ressonância nuclear magnética (RNM) ou de tomografias computadorizadas (TC) podem revelar partes do cérebro que podem contribuir para os sintomas da amnésia.


MRI
UHB Trust/Getty Images
RNM de um cérebro normal. RNM e TC também são usadas para detectar lesão cerebral.

Como a amnésia neurológica se origina de uma lesão cerebral, existem algumas precauções que se pode tomar no dia-a-dia para evitar esse tipo de lesão: usar capacete ao andar de bicicleta ou moto para proteger a cabeça; consumir bebidas alcoólicas com moderação para evitar amnésia causada por excesso de álcool; finalmente, para problemas que podem levar a amnésia, como derrame (acidente vascular cerebral) e falta de oxigênio ou sangue no cérebro, procurar um médico imediatamente.

A amnésia neurológica também pode ser sintoma de outro problema. Sinais precoces de amnésia poderiam agir como precursores da doença de Alzheimer ou da deficiência cognitiva moderada. As duas são formas de demência, que produz perda de memória, além de perda das habilidades cognitivas. A amnésia dissociativa também pode indicar distúrbios dissociativos. Embora a amnésia dissociativa geralmente seja temporária, ela poderia estar associada a algo mais sério, como transtorno de personalidade múltipla, em que as pessoas aparentemente assumem identidades alternativas quando acometidas pelo estresse.

A seguir, veremos onde e por que a amnésia ocupa um lugar eterno na cultura popular.

O cérebro hipnotizado

hipnotizador
Chip Simons/Getty Images
Algumas pessoas apresentam amnésia pós-hipnótica depois da hipnose

Cientistas em Israel descobriram uma importante pista sobre o que acontece com o cérebro das pessoas durante a hipnose. No seu experimento (em inglês),
os participantes assistiram a um filme. Em seguida, foram hipnotizados e receberam a
sugestão pós-hipnótica de não se lembrarem de nada, assim como a instrução para recobrarem
essa lembrança. Quando foram questionados, depois, se se lembravam de terem assistido ao filme, as pessoas
suscetíveis à sugestão pós-hipnótica mostraram baixa atividade nas
áreas do cérebro envolvidas com a recuperação da memória nos lobos occipital, temporal
e frontal. Após serem solicitados a se lembrarem do filme, a memória voltou. Isso sugere que os cérebros dessas pessoas tomaram uma decisão
inicial de anulação para interromper a recuperação da memória com base na sugestão pós-hipnótica. Isso pode ajudar a compreender melhor a supressão da memória em
outros casos de amnésia dissociativa [Fonte: Mendelsohn et al (em inglês)]