Viver com amnésia

Autor: 
Cristen Conger

A vida com amnésia se concentra em criar hábitos a serem seguidos, e a não contar com medicamentos. Para lidar com essa amnésia extrema, Clive Wearing começou a manter um diário a partir do início da doença, em 1985. Como sua memória dura apenas alguns segundos, escrever permitia que ele mantivesse algum registro do passado, embora nunca se lembrasse explicitamente de tê-lo feito. A maioria dos registros é curta, orientada por sua memória implícita, ou habitual, sobre como escrever e pela consciência instintiva de manter o diário.


PDA
Rod Morata/Getty Images
Os PDAs e outras ferramentas de memória são úteis para
pacientes com amnésia

Embora o conhecimento de Wearing de fatos específicos e acontecimentos recentes não exista, seu QI ficou próximo dos níveis que tinha antes da amnésia, como acontece com outros pacientes que sofrem desse problema. Por exemplo, se você pedisse que Wearing lhe mostrasse o caminho da cozinha, ele não saberia dizer. Mas se pedisse a ele que preparasse uma xícara de chá, ele iria até a cozinha e a faria normalmente. Como as memórias implícita e semântica, que controlam o desempenho e a coordenação motora, estão em áreas diferentes do cérebro da memória episódica, a inteligência não é gravemente afetada.

Infelizmente, não existe uma pílula mágica nem cirurgia que possa restabelecer completamente as memórias perdidas de alguém com amnésia persistente. Como os neurotransmissores exercem um papel importante na criação da memória, os pesquisadores estão investigando a possibilidade de isolá-los para tratamentos. Com a amnésia causada por alcoolismo (síndrome de Korsakoff), os suplementos de vitamina B1 podem ajudar a interromper a deterioração do cérebro. A psicoterapia também pode ajudar as pessoas com amnésia dissociativa trabalhando através do acontecimento traumático. Entretanto, a maioria dos casos de amnésia persistente, que lidam com doença ou lesão cerebral relacionada a um ferimento, depende de superação, não de cura.

Tratamento com estimulação profunda do cérebro

Recentemente, os médicos no Canadá tentaram um possível novo tratamento para a
recuperação da memória enquanto tratavam a obesidade de um homem. Os médicos colocaram
eletrodos no cérebro do paciente, enviando correntes elétricas às regiões profundas. Essas correntes ativaram o tálamo e o hipocampo,
estimulando uma memória nítida de 20 anos antes. Após o uso dos
eletrodos por alguns meses, o homem apresentou uma extrema
melhora na memória semântica, que extrai associações
entre as diferentes memórias no cérebro. Mais pesquisas estão sendo
realizadas para ver se os resultados da esimulação profunda do cérebro podem
finalmente tratar as pessoas com perda de memória.

Como um grande número dos casos de amnésia envolve amnésia anterógrada, o tratamento se baseia nas diversas maneiras de conservar novas informações e na criação de hábitos através da memória implícita, como vemos com Wearing. Dessa forma, é possível pensar nas memórias como se fossem cupons a expirar - ou você os usa ou os perde. Integrando as ferramentas de memória à vida diária, os pacientes com amnésia podem se lembrar das memórias com o máximo de freqüência possível para tentar fortalecê-las. As pessoas com amnésia se controlam para se lembrar de usar essas ferramentas criando hábitos, ou memórias implícitas, de modo que saibam instintivamente verificar no calendário se há compromissos, por exemplo.

Calendários de bolso ou PDAs, como PalmPilots, BlackBerries e iPhones, podem ser úteis, já que as pessoas com amnésia podem programar lembretes, guardar grande quantidade de informações e levá-los para qualquer lugar. Ter dados simples como esses em mãos pode aumentar a sensação de independência do paciente e diminuir a sobrecarga das pessoas que tomam conta dele. Além disso, estabelecer padrões de vida é essencial para que os pacientes com amnésia sigam suas vidas.

Continue lendo para saber como a amnésia é diagnosticada sob o ponto de vista médico e como, às vezes, pode ser evitada.