O esquecimento é algo como jogar fora o lixo: você mantém a casa limpa, mas, de vez em quando, joga fora algumas informações úteis, como uma receita ou uma conta. Mas isso deixa nossos cérebros livres do excesso de informações, embora, às vezes, troquemos o nome das pessoas ou o lugar onde colocamos o controle remoto, pois nossos cérebros não codificaram essas informações.
Agora, imagine o que aconteceria se, em vez de pegar o lixo e jogar fora com a mão, você usasse um enorme aspirador de pó. Ele sugaria praticamente tudo que encontrasse pela frente: revistas, fotos, livros e muito mais. Quando se trata da memória, a amnésia age como um aspirador de pó. É uma forma extrema de esquecimento que o cérebro se livra de mais memórias do que ele normalmente descartaria. A quantidade e o tipo de memória eliminada dependem da causa da amnésia.
O tipo de amnésia descrito com mais freqüência na televisão e no cinema é o neurológico, ou orgânico. A amnésia neurológica é causada por uma lesão nas regiões do cérebro que criam as memórias: o córtex - particularmente no lobo temporal - e o hipocampo. Essas partes do cérebro formam as vias neurais que transformam as memórias sensitivas curtas em longas. Quando ocorre esse tipo de amnésia, é como cortar uma linha telefônica: para quem está do outro lado da linha não há informação, pois o caminho para a informação foi interrompido.

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A lesão no sistema límbico, uma das partes do cérebro, pode causar amnésia neurológica
Existem várias causas de amnésia neurológica, de acordo com a Mayo Clinic (em inglês), como:
O caso extremo de amnésia de Clive Wearing, proveniente da encefalite por herpes, é um exemplo de amnésia neurológica. A encefalite por herpes destruiu o hipocampo e partes do lobo temporal no córtex do cérebro de Wearing. Lembre-se do telefone: o hipocampo age basicamente como o fio e as sinapses no córtex são as mensagens de voz. Como o hipocampo, ou o fio do telefone, havia sido destruído, o cérebro de Wearing não podia consolidar novas informações, dando-lhe instantes de memória incrivelmente curtos. A lesão no córtex fez com que todas as "mensagens de voz antigas" fossem apagadas, afetando também a memória de longo prazo.
A seguir, veremos como acontecimentos traumáticos podem levar à amnésia.
A comunidade médica deve boa parte de seu conhecimento sobre amnésia a um famoso paciente conhecido apenas como H.M. Para diminuir a freqüência de suas crises convulsivas, H.M. se submeteu a uma cirurgia, em 1953, para remoção da amígdala e da maior parte do hipocampo. Seus ataques desapareceram, mas ele não conseguia se lembrar de seu passado recente nem criar novas memórias. Sua memória de curto prazo - que dura apenas de 20 a 30 segundos - foi preservada, além de seu nível pré-cirúrgico de inteligência. A pesquisa que se baseou na sua amnésia foi revolucionária para nossa compreensão sobre a forma como o hipocampo processa as informações sensitivas para se tornarem memórias de longo prazo. |