Imagine por um momento como seria a vida com uma memória perfeita. Se você pudesse se lembrar de cada detalhe de tudo que acontecesse com seus cinco sentidos, a primeira hora do dia já seria mentalmente devastadora - seria realmente muita informação. É por esse motivo que o cérebro seleciona dados em suas memórias de curto ou de longo prazo ou os descarta.

A memória de curto prazo permite que nos lembremos das informações necessárias em um momento específico, mas que podem ser eliminadas depois. É semelhante a uma "marmita": você usa para armazenar temporariamente pequenas quantidades de informações e depois as descarta. A memória de curto prazo mantém até sete fragmentos de informações por cerca de 20 a 30 segundos [fonte: Instituto Canadense de Neurociência, Saúde Mental e Dependência (em inglês)]. A memória de longo prazo é semelhante a um "freezer" (em inglês): pode guardar as informações durante anos, ou até pelo resto da vida, mas, se não forem usadas, podem ser "apagadas pelo freezer".
Para transformar memórias de curto prazo em memórias de longo prazo, nossos cérebros precisam codificar, ou definir, as informações. Lembra da framboesa? Codificá-la provavelmente incluiria a catalogação do tamanho, aspereza e cor da fruta. A partir daí, as células cerebrais consolidariam as informações para armazenamento, associando-as às memórias relacionadas. Durante esse processo, essa via neural se fortalece devido à plasticidade do cérebro. A plasticidade permite que o cérebro mude de forma para receber novas informações e, assim, novas vias.
A recuperação da memória de longo prazo requer uma nova visita às vias nervosas que o cérebro formou. A força dessas vias determina a rapidez com que você traz de volta a memória. Para reforçar essa memória inicial, ela deve passar várias vezes pelas células nervosas, traçando novamente seus passos.
A formação da memória ocorre amplamente no sistema límbico (em inglês) do cérebro, que controla o aprendizado, a memória e as emoções. O córtex é o local de armazenamento temporário das memórias de curto prazo e a área em que o cérebro coloca os novos estímulos dentro do contexto. O hipocampo, então, interpreta as novas informações, associa-as às memórias anteriores e determina se vai codificá-las como uma memória de longo prazo. Em seguida, o hipocampo envia as memórias de longo prazo para diferentes regiões do córtex, dependendo do tipo de memória. Por exemplo, a amígdala guarda as memórias intensamente emocionais. As memórias são, então, armazenadas nas sinapses onde podem ser reativadas posteriormente. Para obter mais informações, leia Como funciona o cérebro.

A seguir, veremos o que acontece quando essas vias neurais que formam nossas memórias são interrompidas por uma barreira chamada amnésia.
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Tipos de memória de longo prazo Episódica/explícita - memória com base em fatos e informações específicas. Ao estudar para uma prova, você exercita sua memória explícita. |