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| amnésia |
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Imagine você acordar de manhã sem noção de onde está. Alguma coisa parece familiar em relação aos lençóis de algodão, aos quadros na parede, às cortinas, mas você não consegue se situar. Minutos depois, você passa por essa mesma sensação, mas, dessa vez, você está em pé em frente à penteadeira, usando camiseta e calças jeans sem se lembrar de sequer ter dormido. É como se sua consciência perdesse o passado e o futuro, como um filme de animação em que cada quadro anterior é destruído.
![]() Foto cedida por Amazon.com Clive Wearing e sua esposa Deborah, que escreveu um livro sobre a amnésia do marido |
Ao contrário da maioria dos casos de amnésia, onde memórias mais antigas são preservadas, boa parte da memória episódica de longo prazo de Wearing (relacionada a fatos e acontecimentos específicos) desapareceu. Sua coordenação motora e inteligência geral permanecem intactas; é a memória de usá-las que está desconectada. Por exemplo, Wearing ainda toca piano com habilidade, mas não lembra quando o faz, nem que música tocou.
As diferenças de sua memória fragmentada refletem a complexidade da amnésia e do cérebro humano. Wearing sempre se lembrou de sua esposa, Deborah, ainda que não conseguisse recordar o nome de seu compositor favorito, Lassus [fonte: Sacks (em inglês)]. Wearing consegue comentar alguns acontecimentos de sua vida, entretanto, às vezes, há dúvidas se as histórias são evocadas de sua memória ou de sua imaginação [fonte: Sacks (em inglês)].
Então, como a amnésia apagou a memória de Wearing? E ter uma memória perfeita é assim tão bom? Vá para a próxima página para descobrir os caminhos da memória e passear por eles.