Diagnóstico e tratamento

Autor: 
Jacob Silverman

Evidências e testes

O primeiro passo do diagnóstico de Alzheimer é confirmar o quadro de demência.  Depois, deve-se identificar o tipo de demência. O médico fará o histórico do paciente, realizará exame físico (incluindo exame neurológico) e exame do status mental.  

Os testes podem ser solicitados para ajudar a determinar se existe uma condição tratável que possa causar demência ou contribuir para confundi-la com Alzheimer.  Estas condições incluem doença na tireóide, deficiência de vitamina B12, tumor cerebral, intoxicação medicamentosa, infecção crônica, anemia e depressão grave.

O Alzheimer normalmente tem um padrão característico de sintomas e pode ser diagnosticado através de histórico e exame físico por um médico especialista.  Os testes normalmente realizados para avaliar ou excluir outras causas de demência incluem tomografia computadorizada, ressonância magnética e exames de sangue.

Nos estágios iniciais de demência, o exame da imagem cerebral pode ser normal. Nos estágios avançados, a ressonância magnética revela diminuição no tamanho do córtex cerebral ou na área responsável pela memória (hipocampo). Apesar da ressonância magnética não confirmar o diagnóstico de Alzheimer, ela exclui outras causas de demência (como derrame e tumor).

Tratamento

Infelizmente, não há cura para o mal de Alzheimer. Os objetivos do tratamento de Alzheimer são os seguintes:

  • reduzir a progressão da doença;
  • gerenciar problemas comportamentais, confusão e agitação;
  • modificar o ambiente doméstico;
  • assistir membros da família e pessoas que ajudam a tomar conta.

Os tratamentos mais promissores incluem mudanças no estilo de vida, medicamentos, suplementos anti-oxidantes como vitamina E e ginkgo biloba.

Mudanças no estilo de vida

Os seguintes procedimentos podem ajudar a pessoa com Alzheimer:

  • caminhe regularmente com o profissional de saúde ou outra pessoa de confiança. Isto pode melhorar as habilidades de comunicação e prevenir complicações;
  • utilize terapia de luz para reduzir insônia e inquietação;
  • ouça músicas tranqüilas. Isto pode reduzir a inquietação e a
    perturbação, além de melhorar a química cerebral,  a ansiedade,
    o sono e o comportamento; 
  • tenha um cachorro;
  • pratique técnicas de relaxamento;
  • receba massagens regulares.  Isto é relaxante e promove interações sociais.

Tratamento medicamentoso

Diversos medicamentos estão disponíveis para tentar conter a evolução do Alzheimer e possivelmente melhorar a capacidade mental da pessoa.  Atualmente, a Memantina é um dos medicamentos utilizados no tratamento de doença moderada a grave do mal de Alzheimer.

Outros medicamentos incluem donepezil, rivastigmina, galantamina e tacrina (Cognex). Estas drogas aumentam o nível do neurotransmissor cerebral chamado acetilcolina.  Eles podem causar náusea e vômito. A tacrina também causa elevação nas enzimas do fígado e deve ser ingerida quatro vezes ao dia, sendo raramente prescrita atualmente.

O donezepil é tomado uma vez ao dia e deve estabilizar ou até mesmo melhorar as capacidades mentais do paciente.  Normalmente é bem tolerado. A rivastigmina parece funcionar de forma similar. Deve ser tomado duas vezes ao dia.Outros medicamentos podem ser necessários para controlar comportamentos agressivos, agitados ou perigosos. Estes normalmente são prescritos em baixas doses.

Pode ser preciso interromper medicamentos que pioram a confusão. Tais medicamentos podem incluir analgésicos, cimetidina, depressores do sistema nervoso central, anti-histamínicos, tranqüilizantes e outros.  Nunca mude ou interrompa o tratamento sem a orientação prévia de seu médico.

Suplementos

O ácido fólico (vitamina B9) é crítico para a saúde do sistema nervoso.  Juntamente com outras vitaminas B, o ácido fólico é responsável ainda por remover do sangue a homocisteína (substância química corporal que contribui para doenças crônicas). Altos níveis de homocisteína e baixos níveis de ácido fólico e vitamina B12 foram identificados em pessoas com mal de Alzheimer. Os benefícios da ingestão de vitaminas do complexo B para o mal de Alzheimer não são claros, mas pode valer a pena considerar a alternativa, particularmente se o nível de homocisteína estiver alto. 

Suplementos antioxidantes como ginkgo biloba e vitamina E combatem radicais livres. Conseqüência do metabolismo, os radicais livres são altamente reativos e podem danificar as células no corpo todo.

A vitamina E dissolve a gordura, rapidamente entra no cérebro e pode reduzir os danos no cérebro.  Em um estudo bem conduzido com pessoas com Alzheimer monitoradas durante dois anos, observou-se que aquelas que tomaram suplementos de vitamina E apresentaram melhoras nos sintomas em relação àquelas que tomaram placebo. Pacientes que tomam medicamentos que "afinam" o sangue como warfarin (Coumadin) devem conversar com o médico antes de tomar vitamina E.

Ginkgo biloba é uma erva medicinal usada amplamente na Europa para tratar demência. Melhora o fluxo de sangue no cérebro e contém flavonóides (substâncias vegetais) que agem como antioxidantes.    Embora muitos estudos até a data tenham sido falhos, a idéia de que a ginkgo possa aprimorar o pensamento, o aprendizado e a memória daqueles com Alzheimer é promissora. NÃO USE a ginkgo se você toma medicamentos que afinam o sangue como warfarin (Coumadin) ou uma classe de anti-depressivos chamados inibidores monoamino-oxidase (IMAOs).  
Se estiver pensando em tomar qualquer medicamento ou suplemento, você DEVE consultar o médico.  

Assistência domiciliar

Pessoas com Alzheimer precisam de assistência domiciliar conforme a doença piora. Membros da família ou profissionais de saúde podem contribuir observando como a pessoa com Alzheimer percebe seu mundo. Simplifique o ambiente onde o paciente fica. Faça lembretes freqüentes, anotações, listas de tarefas rotineiras e orientações diárias. Dê a chance da pessoa com Alzheimer falar sobre seus desafios e interagir por conta própria.