Apnéia do sono

Apnéia é uma palavra que vem do grego e significa sem respiração. Sonolência, mau humor, alteração da memória e da libido são alguns dos sintomas encontrados nos adultos com apnéia obstrutiva do sono. Nas ocorrências em crianças, no entanto, os indícios são hiperatividade e déficit de atenção. Comer carboidratos à noite, fazer atividades físicas menos de quatro horas antes de dormir, alta ingestão de cafeína e a alteração de hormônios na menopausa também podem aumentar os índices da doença.

O mecanismo da apnéia obstrutiva do sono (AOS) se baseia no relaxamento fisiológico da musculatura esquelética e da musculatura das vias aéreas superiores. Quando isso acontece, a região da faringe pode colapsar e a sua obstrução parcial pode levar a uma vibração das suas paredes que nós identificamos como o ronco. São causas de ronco à noite dormir com a barriga para cima, uso de álcool ou de medicamentos que provoquem relaxamento da musculatura e fase REM do sono.

Quem descreve o ronco geralmente é uma outra pessoa e não o próprio paciente. O ronco na apnéia obstrutiva do sono é muito alto e acompanhado por paradas respiratórias. Essa parada respiratória é o colapso total da faringe, impedindo a entrada do ar. Por causa da apnéia o paciente acorda, e o tônus da musculatura volta ao normal. Geralmente esse processo leva alguns segundos e o paciente não consegue se lembrar no dia seguinte que acordou várias vezes. Esse tipo de sono é descrito como fragmentado e não reparador, podendo ser acompanhado de sonolência diurna. Normalmente o relato da apnéia vem sempre do familiar que se assusta com os períodos de apnéia.

Estima-se que aproximadamente 5% da população adulta possa ter esse tipo de problema. Os fatores de risco para a apnéia do sono são obesidade, sexo masculino e idade.

A qualidade de vida fica extremamente comprometida e aumenta muito o risco de acidentes pela sonolência diurna apresentada por esses pacientes. Quando a parada respiratória acontece, a oxigenação cai e a freqüência cardíaca e a pressão arterial oscilam muito pelo aumento da atividade nervosa. Isso leva a um risco aumentado de hipertensão (pressão alta) e de outras doenças cardiovasculares como o infarto.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é feito pela polissonografia. Para avaliar a presença de sonolência diurna deve-se perguntar ao paciente se ele dorme com muita freqüência quando está lendo, assistindo televisão, no ônibus ou se ele deita à tarde para uma soneca, por exemplo. O tratamento inclui perda de peso, uso de próteses que impedem o colapso da faringe (utilizada em casos leves), inflamação da faringe e o uso de ventilação com pressão positiva. Essa é a técnica mais utilizada atualmente porque as cirurgias têm indicações limitadas e são cada vez menos utilizadas. Atualmente, a cirurgia só está indicada em crianças que apresentam o quadro pelo aumento das tonsilas e adenóides.

A ventilação com pressão positiva (CPAP – do inglês Continuous Positive Airway Pressure) consiste em uma máscara nasal conectada a um aparelho que aumenta a pressão nas vias aéreas impedindo que elas fechem completamente durante a respiração, e por isso evitando a apnéia do sono. A figura 1 mostra o esquema de como um paciente com apnéia do sono é ligado ao CPAP.

Figura 1

Paciente ligado ao CPAP
Imagem cedida: Agência fapesp
Paciente com apnéia do sono ligado ao CPAP