Como os cientistas estudam o sono?

Existe um aparelho que recebe o nome de polissonógrafo que foi criado para estudar o sono e suas doenças. O nome do exame que se faz no polissonógrafo se chama polissonografia. A polissonografia inclui vários procedimentos, cada um com sua utilidade.


Tipos de exames que compõem a polissonografia e sua função

Exame

Função

Eletroencefalograma

Identifica os estágios do sono.

Eletro-oculograma

Registra a diferença de potencial elétrico entre a córnea e a retina. Cada fase do sono se associa com movimentos específicos dos olhos. Assim, o eletro-oculograma junto com o eletroencefalograma são utilizados para identificar e quantificar os estágios do sono.

Eletromiografia dos músculos do queixo

Registra o tônus muscular e também auxilia na identificação das fases do sono. Por exemplo, o bruxismo (ranger os dentes durante o sono) pode ser identificado por esse registro.

Eletromiografia dos músculos dos braços e pernas

Monitorização do movimento dos braços e pernas para perceber presença de movimentos periódicos à noite

Sensor de fluxo oronasal

Registra o ritmo e a intensidade do fluxo de ar da respiração que passa pela boca e nariz. Detecta as apnéias (momento em que a pessoa pára de respirar durante o sono – apnéia do sono).

Sensor de esforço respiratório

Permite diferenciar quando a pessoa pára de respirar por um comando do sistema nervoso ou quando ela pára de respirar por causa da apnéia obstrutiva do sono. É uma cinta que fica em volta do abdome e outra em volta do tórax para medir o esforço respiratório. Na apnéia obstrutiva, há um esforço respiratório durante a parada respiratória que não acontece quando a apnéia é de origem central.

Sensor de áudio

Tem um microfone que registra o ronco.

Eletrocardiógrafio

Permite a detecção de arritmias (quando o coração bate de forma irregular) durante o sono.

Oxímetro de pulso

Registra as taxas de oxigênio durante a noite. Taxas baixas significam que a respiração não está deixando o sangue oxigenado como deveria.

Canais adicionais

 


Capnometria

Mede a taxa de CO2 no ar expirado.

Sensor de posição

 

Verifica o posicionamento correto do sistema.

Esforço respiratório

Medido por meio de um balão esofágico.


­O sono pode ser dividido em duas fases que vão se alternando no decorrer da noite. A primeira delas se caracteriza no eletroencefalograma por um traçado semelhante ao estado de vigília quando a pessoa está acordada. São ondas de pequena amplitude e freqüência alta. Nessa fase, o eletro-oculograma registra vários movimentos oculares rápidos (em inglês, rapid eye moviments – REM) que recebeu o nome de fase REM. Na outra fase, ocorre uma atividade cerebral lenta e sincronizada que recebeu o nome de fase não-REM (NREM) ou fase de sono lento ou fase de sono sincronizado.

A fase NREM do sono é dividida em quatro estágios. O quadro 2 mostra os vários estágios da fase NREM do sono.

Estágios da fase NREM do sono

Estágio 1
Estágio inicial 2-5% do período de sono
Estágio 2
45-55% do período de sono
Estágio 3
3-8% de período de sono
Estágio 4
10-15% do período de sono

O sono começa pelo estágio 1 da fase NREM e continua pelos estágios 2, 3 e 4 que são estágios de sono cada vez mais profundos. Na fase NREM do sono é que o hormônio do crescimento (que regula o crescimento da criança e do adolescente) é liberado pela hipófise. Já na fase REM, em que ocorre grande atividade mental, acontecem os sonhos. Acredita-se que vários mecanismos cerebrais relacionados à aprendizado e memória aconteçam nessa fase.

Toda noite, uma pessoa passa por 4 a 6 ciclos de sono, começando sempre pela fase NREM e chegando na fase REM de sono profundo. A cada ciclo, o tempo de sono REM aumenta enquanto os estágios 3 e 4 da fase NREM, chamados de sono delta pelo padrão das ondas cerebrais no eletroencefalograma, vai encurtando.

Vários fatores podem alterar o ritmo de sono: idade, alteração dos ritmos circadianos, alterações do meio ambiente como temperatura, luminosidade, vários medicamentos (por exemplo, os antidepressivos tricíclicos aumentam o sono e por isso são prescritos à noite, enquanto os inibidores de recaptação da serotonina tiram o sono logo que são ingeridos e por isso devem ser prescritos pela manhã). Vários transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade, e outras doenças como o hipo e o hipertireoidismo, a obesidade, e até a própria gravidez podem alterar o ritmo do sono.