O álcool e o resto do corpo

Beber grandes quantidades de álcool pode danificar seriamente sua saúde: seu fígado, rins, coração, cérebro e sistema nervoso central.

Já falamos sobre os danos ao cérebro a longo prazo. No entanto, se usado por longos períodos de tempo, o álcool pode também causar sérios danos em outras partes do corpo.


Áreas do corpo afetadas pelo alcoolismo

  • Fígado: o fígado é particularmente vulnerável aos efeitos do álcool porque é o órgão onde ele e outras toxinas são metabolizadas, sendo transformadas em substâncias menos perigosas para serem removidas do corpo. Beber durante um longo período de tempo pode levar à hepatite alcoólica ou inflamação no fígado. Os sintomas dessa doença incluem náuseas, vômitos, febre, perda de apetite, dor abdominal e icterícia (amarelamento da pele). Mais de 70% das pessoas com hepatite alcoólica desenvolvem cirrose. Com essa doença, o tecido saudável do fígado dá lugar a um tecido cicatricial e o fígado vai parando de funcionar progressivamente.


Imagem cedida por National Library of Medicine
Fígado cirrótico

  • Coração: o álcool reduz a pressão arterial em baixas doses; entretanto, beber prolongadamente aumenta os riscos de doenças cardíacas, pressão alta e convulsões e infarto.

  • Estômago: o álcool irrita as mucosas do estômago e intestinos, causando vômitos, náuseas e úlceras.

  • Pâncreas: o pâncreas libera os hormônios insulina e glucagon, que regulam a forma como a comida é transformada e utilizada como energia pelo corpo. Beber durante muito tempo pode levar à inflamação no pâncreas (pancreatite).

  • Câncer: pesquisas indicam que beber durante muito tempo aumenta os riscos de câncer na boca, garganta, laringe e esôfago.

Os efeitos do álcool são ainda mais marcantes em pessoas com mais de 65 anos, porque seus corpos não metabolizam o álcool tão bem. As mulheres também têm mais dificuldade de metabolizar o álcool do que os homens, porque são geralmente menores e mais leves. O álcool  pode ainda ser mortal quando combinado com certas medicações como analgésicos, tranqüilizantes e anti-histamínicos.

Síndrome alcoólica fetal
O álcool é especialmente perigoso para os fetos. A exposição ao álcool no útero pode levar à síndrome alcoólica fetal, que pode gerar retardamento mental. Nos fetos em desenvolvimento, as células embrionárias que irão formar o cérebro estão se multiplicando e formando conexões.

A exposição ao álcool no útero pode danificar essas células, prejudicando o desenvolvimento de diversas estruturas no cérebro, incluindo os núcleos da base, responsáveis pela memória espacial e outras funções cognitivas; o cerebelo, envolvido no equilíbrio e coordenação e a massa de fibras nervosas que conecta e capacita a comunicação entre os dois hemisférios do cérebro. A exposição intra-uterina ao álcool pode fazer com que, posteriormente, os bebês tenham problemas de aprendizado, de memória e falta de atenção. Muitos também nascem com a cabeça menor que o normal e anormalidades faciais. Como os pesquisadores não sabem exatamente que quantidade de álcool ingerida pela mãe pode causar danos ao feto, os médicos recomendam que mulheres grávidas se abstenham do álcool durante a gestação.