Albinismo e os olhos

Autor: 
Susan Nasr

Com melanina insuficiente, a pele não apenas fica mais clara, mas também não possui proteção natural contra o sol. Durante o bronzeamento, ficamos morenos porque os melanócitos enviam mais melanossomas para proteger as células da nossa pele. Os albinos que não produzem melanina não conseguem se bronzear, mas aqueles cujas mutações permitem alguma produção de melanina conseguem o bronzeamento. Quando a melanina não consegue bloquear todos os raios UV, alguns penetram nas células, provocando queimaduras. As pessoas com albinismo se queimam com muito mais facilidade do que as que possuem pigmentação normal. Para as pessoas que não produzem melanina, as queimaduras ocorrem instantaneamente [fonte: Ciocca].

Mencionamos anteriormente que os albinos geralmente apresentam problemas de visão. No albinismo, o olho produz pouquíssima melanina durante seu desenvolvimento. Isso faz com que partes do olho se formem de maneira anormal, comprometendo a visão.

O que acontece é o seguinte: a íris (parte colorida do olho) abre e fecha a pupila. A retina (espécie de tela atrás do olho) retém a imagem. Normalmente, a melanina escurece as duas partes, permitindo que a íris bloqueie a luz e a retina absorva o restante. No albinismo, a íris deixa a luz passar atingindo a retina. A luz se dispersa no olho causando fotofobia, uma sensação desconfortável ou dolorida devido à claridade.

Por que as pessoas albinas têm olhos vermelhos?

Elas não têm. Isso é apenas um truque de luz. Pela pupila, íris e retina transparentes, passa uma quantidade suficiente de luz que permite que você veja os vasos sangüíneos através da retina.

O albinismo afeta a capacidade da pessoa de ver imagens, assim como sua sensibilidade à luz. Nossa fóvea (uma depressão no centro da retina) contém milhões de cones responsáveis pela visão das cores. Precisamos dos cones para enxergar claramente os detalhes ao ler, reconhecer uma fisionomia (em inglês) ou assistir à televisão. Durante o desenvolvimento, a melanina ajuda a fóvea a se formar corretamente, mas não se sabe exatamente qual é seu papel. No albinismo, a fóvea pode não se formar e a área ter poucos cones [fonte: Kelly]. As formas podem ficar embaçadas e os olhos, em busca de uma imagem clara, podem fazer movimentos involuntários - um distúrbio denominado nistagmo [fonte: Weber (em inglês)]. A cabeça pode balançar para compensar.

O albinismo também afeta os nervos ópticos, que ligam os olhos ao cérebro. No desenvolvimento embrionário, a melanina informa aos nervos em crescimento aonde exatamente eles devem entrar dentro do olho. Os nervos, guiados pela melanina, passam por um centro de integração em cada lado do cérebro. Uma metade vai em sentido transversal - olho esquerdo para o lado direito do cérebro - enquanto outra vai para o centro no mesmo lado do cérebro. Isso permite que cada centro receba estímulo dos dois olhos. O cérebro, então, sobrepõe as imagens dos olhos, formando uma imagem tridimensional. Nos albinos, existe uma deficiência (ou completa falta) de produção de melanina, e essas comunicações não acontecem da forma como deveriam. Conseqüentemente, praticamente todos os nervos ópticos se cruzam.  As imagens vistas pelos olhos nunca se combinam. O cérebro se adapta rapidamente, deixando uma única imagem, mas há alguns problemas para enxergar em profundidade. Além do nistagmo, alguns albinos apresentam estrabismo, em que um olho parece se mover independentemente do outro. Isso está relacionado ao desvio dos nervos ópticos [fonte: King et al].

Como o albinismo afeta os nervos ópticos
Nos albinos, os sinais da visão se cruzam quando os nervos ópticos se cruzam

A superfície do olho deve ser curvada corretamente para que a focalização seja definida. No albinismo, erros no desenvolvimento dos olhos podem fazer com que a curvatura da córnea seja irregular, causando miopia, hipermetropia ou imagem distorcida, chamada de astigmatismo. O cristalino pode focalizar a luz de forma desigual na retina, também provocando astigmatismo. Sem correção, as pessoas albinas têm uma visão na faixa de 20/60 - enxergando detalhes a uma distância de 6 metros que deveriam ser vistos a 18 metros [fonte: Gronskov]. Os portadores de albinismo não são cegos, mas se apresentarem cegueira total, há probabilidade de que ela esteja relacionada a outro problema.

Na próxima seção, discutiremos os tipos diferentes de albinismo e como ele é formalmente diagnosticado.