por
Kevin Bonsor - traduzido por HowStuffWorks Brasil
O impacto mundial da Aids
Para entender a devastação da Aids, é
necessário entender a alta taxa de mortalidade das pessoas que
desenvolvem a doença. Se você contar todos os habitantes da cidade
norte-americana de Chicago (cerca de 3 milhões), teria uma idéia de
quantas pessoas morrem de Aids todos os anos no mundo. Isso significa
que a Aids mata por ano o mesmo número de habitantes da terceira maior
cidade dos Estados Unidos.
Entre 34,1 e 47,1 milhões de
pessoas estavam infectadas com o vírus HIV até o final de 2006. Em 2007, o número de novos infectados ficou em torno de 1,7 milhões caiu para entr 30,6 milhões e 36,1 milhões, elevando para 22,5 milhões o total de pessoas vivendo com o vírus HIV. Cerca
de 24,7 milhões desses casos - ou 68% do total - se encontram na África subsaariana. Desses, 61% são mulheres. Também estão na Áfricana subsaariana 76% das mortes relacionadas à Aids em 2007. Apesar dos números ainda serem altos, o percentual mundial de pessoas vivendo com Aids caiu em 2007, em parte como resultado do impacto de programas contra o HIV. Os dados fazem parte do relatório 2007 AIDS Epidemic Update, publicado pela ONU e pela OMS no final de 2007.
De acordo com o relatório, as regiões com o maior
número de pessoas vivendo com HIV/Aids são:
- África Subsaariana - 24,7 milhões
- Sul e Sudeste da Ásia - entre 3,7 milhões e 6,7 milhões de pessoas vivem com o HIV, incluindo as 440 mil novos infectados em 2007. Neste ano, cerca de 300 mil pessoas morrem de doenças relacionadas à Aids.
- Caribe - Depois da África subsaariana, é a segunda região mais afetada pela Aids. Cerca de 300 mil pessoas eram HIV positivo em 2007, e 11 mil morreram de Aids e doenças relacionadas. No mesmo ano, 17 mil novos casos foram registrados na região. República Dominicana e Haiti são os países da região com maior prevalência da doença, apesar de o número de novos infectados estar diminuindo.
- América Latina - De acordo com os dados da OMS, a epidêmia do HIV está estável. O número estimado de novos casos de infecção por HIV em 2007 foi em média de 100 mil. Com isso, o número de novos infectados ficou em 1,6 milhões de pessoas. Na região, a transmissão do HIV continua ocorrendo na população com alto risco de exposição: profissionais do sexo e homens que mantêm relações sexuais com outros homens. Também o sexo inseguro -ou sem camisinha- entre homens foi considerado como importante fator de risco na epidemia da doença na região.
- América do Norte e Europa Ocidental e Central - Cerca de 2,1 milhões de novas pessoas foram infectadas com o vírus HIV em 2007. O número de novos casos foi maior na Europa Ocidental, e está estabilizado nos EUA e no Canadá.
- Leste Europeu/Ásia Central - Em 2007, o número de pessoas vivendo com o HIV na região subiu para 2,1 milhões, com cerca de 150 mil novas infecções. Dos infectados, cerca de 55 mil morreram da doença. Cerca de 90% dos novos casos foram registrados em apenas dois países da região: Rússia (66%) e Ucrânia (21%).
- Oriente Médio e Norte da África - 35 mil pessoas foram contaminadas com o HIV em 2007, elevando para 380 mil o número de pessoas vivendo com o vírus nessa região. A maioria das infecções ocorreu em homens e em áreas urbanas, onde o sexo heterossexual inseguro aparece como o maior fator de risco da doença.
- Oceania - Em 2007, assim como nos anos anteriores, Papua Nova Guiné continua liderando o número de infectados na região, com 70% dos casos, mas Austrália e Nova Zelândia foram os dois países com maior número de transmissões, principalmente entre homens. Cerca de 14 mil pessoas adquiriram o vírus HIV, elevando para 75 mil o número total de soropositivos.
História do HIV/Aids - 1926/1946 - o HIV se espalhou possivelmente dos macacos para os humanos. Ninguém sabe ao certo.
- 1959 - um homem morre no Congo e muitos pesquisadores dizem ser o primeiro caso comprovado de morte por Aids.
- 1981 - o CDC informa a ocorrência de um tipo até então raro de câncer.
- 1982 - o termo Aids é usado pela primeira vez, e recebe uma definição do CDC.
- 1983/1984 - cientistas americanos e franceses reivindicam a descoberta do vírus que mais tarde seria chamado de HIV.
- 1985 - a FDA aprova o primeiro teste de anticorpos de HIV para doadores de sangue.
- 1987 - o AZT é a primeira droga anti-HIV aprovada pela FDA.
- 1991 - a estrela do basquete Magic Johnson anuncia que é HIV positivo.
- 1996 - a FDA aprova os primeiros inibidores de protease.
- 1999 - Estima-se que há 650 mil a 900 mil americanos vivendo com HIV/Aids.
- 2002 - o número de mortos pela Aids atinge cerca de 28,1 milhões.
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No Brasil
A
Aids é uma das piores crises de saúde vistas atualmente. Sem nenhum
tratamento eficiente, a maioria dos especialistas dá ênfase à prevenção
para impedir o alastramento do HIV.
Em 1996, o Brasil adotou
uma política de distribuição das drogas que devem ser administradas
pelos portadores do vírus HIV. Além disso, o programa nacional de Aids
reúne especialistas no tratamento da doença para estabelecer parâmetros
de tratamento e acompanhamento de pessoas portadoras do vírus; estes
consensos geram documentos de orientação, que são disponibilizados ao
público, servindo de guia de orientação dos médicos envolvidos no
tratamento e também para a aquisição dos medicamentos por parte do
próprio programa.
A
distribuição dos medicamentos é feita através do SUS (Sistema Único de
Saúde). No entanto, apenas distribuir medicamentos não garante a
qualidade do tratamento; é necessário monitorar a resposta dos
pacientes à medicação, para que se possa avaliar sua eficácia. Assim, o
programa disponibiliza exames e acompanhamento médico para quem
precisa.
No campo da luta contra a Aids durante a
gestação e a lactação, o Brasil lançou, em 2006, uma campanha para
reduzir os índices de transmissão naquele período. Inicialmente, o
esforço da campanha foi no sentido de convencer e informar as mulheres
grávidas sobre a necessidade de fazerem um exame, que é realizado
gratuitamente desde 1996.
Para aprender mais sobre o HIV e Aids, acesse os links na próxima seção.