Princípios dos adoçantes

Sacarina (em inglês), o primeiro adoçante artificial, foi descoberto em 1879 por um cientista que esqueceu de lavar as mãos antes de jantar e percebeu que seus dedos estavam com um sabor adocicado. Outros adoçantes artificiais também foram descobertos simplesmente porque os cientistas lamberam os dedos enquanto testavam novas drogas ou fumaram cigarros que estavam próximos a componentes adocicados. A falta de higiene tem ajudado a ciência a descobrir muitos produtos.

As descobertas dos laboratórios acabam deixando de lado o fato de que os adoçantes são artificiais, não importa a maneira como são comercializados. Splenda, o adoçante mais recente no mercado, foi processado pela indústria açucareira por tentar fazer as pessoas pensarem que é mais natural do que realmente é. Segundo um estudo realizado pelo Center for Science in the Public Interest (CSPI - Centro de Ciência pelo Interesse Público), 57% das pessoas achavam que o Splenda era um produto natural e não um adoçante artificial [ref. (PDF em inglês)].


Por que existem tantos adoçantes diferentes? O motivo é que não há nenhum adoçante que possa ser usado em todos os produtos doces. A sucralose (Splenda), por exemplo, é usada em produtos assados, porque consegue suportar altas temperaturas. Já o aspartame é encontrado em produtos light e sem açúcar, principalmente derivados do leite, como iogurtes. Açúcares alcoólicos como o xilitol e o sorbitol são utilizados geralmente em sorvetes sem açúcar. O detalhe interessante sobre os açúcares de álcool é que, apesar de eles não afetarem os níveis de açúcar no sangue e nem estragarem os dentes, eles têm quase tantas calorias quanto o açúcar.

Além dos produtos “light” e “sem açúcar”, você encontra adoçantes também em medicamentos líquidos e em pastilhas (principalmente remédios para crianças), pastilhas para a garganta, pastilhas contra a tosse, vitaminas mastigáveis, pastas de dentes, antissépticos bucais e quase tudo que poderia ficar melhor se fosse um pouquinho doce, mas que não deve usar açúcar. Alguns produtos que até poderiam utilizar açúcar acabam usando adoçantes porque eles são mais baratos. Um relatório recente da Food Commission (em inglês) - UK - Comissão Britânica de Alimentos - descobriu que alguns refrigerantes de laranja que não eram “diet” estavam usando diversos tipos de adoçantes artificiais. O aspartame custa apenas dois centavos por litro de bebida, enquanto o açúcar custa seis centavos por litro.

Se você não quer ingerir adoçantes artificiais, vai ter que conferir os rótulos dos produtos e conhecer os nomes “reais”, além das marcas pelas quais eles são conhecidos.

A seguir, vamos conhecer algumas controvérsias sobre os adoçantes.

Doce do futuro
Cientistas da Senomyx estão tentando descobrir substâncias que aumentam a eficiência dos receptores doces. Eles contam com um laboratório repleto de minúsculas papilas gustativas artificiais que brilham com uma luz verde quando estão em contato com os açúcares. Ao testar diferentes substâncias doces utilizando as “papilas”, eles esperam descobrir uma que tenha gosto de açúcar mas que não deixe aquela sensação amarga após a ingestão e que não tenha nenhum efeito colateral.