Entre os acidentes por animais peçonhentos, a picada pelo escorpião tornou-se a mais freqüente. Em abril de 2007, o aumento de casos em regiões urbanas, incluindo Brasília, motivou reportagem do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão. O sistema de vigilância do Ministério da Saúde mostrou aumento entre 2001 (início da notificação nacional) e 2006 de 18 mil para 38 mil, ou seja, mais do que o dobro de acidentes com escorpião. No entanto, por se tratar de sistema novo, parte considerável desse aumento não é real, mas indicador de subnotificação em anos anteriores a 2006. Uma situação que ocorre também entre outros acidentes por animais peçonhentos, porém o raciocínio epidemiológico indica que o risco aumenta pelas condições propícias com verdadeiros criadouros de escorpiões nos quintais das casas. Além disso, há dados do hospital João XXIII, em Belo Horizonte, do aumento de casos desde o início da década de 90.
A figura 1 mostra que a proporção maior de acidentes por escorpião se encontra no estado de Minas Gerais, com um quarto dos casos. Seguem Pernambuco, Bahia e São Paulo. Tal como ocorre na maioria dos acidentes por animais peçonhentos, o período de maior ocorrência é entre outubro e janeiro (figura 2). A distribuição por faixa etária também é a mais comumente encontrada nesses casos, entre 30 e 39 anos (figura 3).
Ao contrário de outros acidentes, a procura por assistência médica é mais rápida. Noventa por cento dos acidentes foram atendidos em menos de seis horas apóas a picada (figura 4). Mesmo assim, em 2006 houve 12 mortes (0,1%) por picadas e 136 (0,8%) pacientes que saíram com seqüelas.
Quadro clínico
O veneno que é injetado pelo télson é uma neurotoxina que causa ardor intenso acompanhado de inchaço. Depois do tratamento, a área atingida mantém-se muito sensível. As manifestações gerais são vômitos, diarréia e manifestações do sistema nervoso autônomo parassimpático com salivação excessiva, sudorese, pressão arterial elevada e priapismo. Quantidades grandes de veneno podem comprometer o sistema cardio-circulatório e até levar à morte.
Tratamento
A dor deve ser tratada imediatamente, e algumas vezes há necessidade de anestesia local. Os tratamentos para as reações sistêmicas devem ser feitos em ambiente hospitalar. O soro antiescorpiônico deve ser administrado somente em casos graves.
Informações para médicos
O local com maior experiência e serviço 24 horas de consulta telefônica é o Hospital Vital Brasil, do Instituto Butantan, em São Paulo. Como a experiência no tratamento do acidente com escorpião é pequena, médicos de outros serviços podem entrar em contato com o Instituto Butantan em caso de dúvidas.
Figura 1 - Distribuição dos acidentes por escorpiões por unidade da federação em 2006. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan do Ministério da Saúde, 2007.
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Figura 2 - Distribuição dos acidentes por escorpiões em todo território nacional de acordo com o mês do ano de 2006. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan do Ministério da Saúde, 2007.
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Figura 3 - Distribuição dos números de casos de acidentes por escorpiões por faixa etária no território nacional em 2006. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan do Ministério da Saúde, 2007.
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Figura 4 - Tempo de acesso aos cuidados médicos em horas para acidentes por escorpiões no território nacional em 2006. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação – Sinan do Ministério da Saúde, 2007.
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