As espécies

O Instituto Butantan de São Paulo descreve essas quatro espécies da seguinte maneira:

Tityus serrulatus: de 5 a 7 cm de comprimento; colorido geral amarelado; pernas e papos sem manchas; cefalotórax e abdome escuros; presença de serrilha na face dorsal do 3º e 4º segmentos da cauda; presença de espinho subaculear no télson. Distribuição: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Sul (relato de um acidente) e Paraná. Conhecido como escorpião amarelo.

Tityus bahiensis:
de 5 a 7 cm de comprimento; colorido geral marrom avermelhado; cefalotórax e abdome mais escuros e sem manchas; pernas com pequenas manchas escuras; presença de manchas mais escuras na tíbia e fêmur dos palpos; presença de espinho subaculear no télson. Distribuição: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Conhecido como escopião marrrom.

Tityus stigmurus: de 5 a 7 cm de comprimento; colorido geral amarelado; pernas e palpos sem manchas; presença de um triângulo escuro na face dorsal anterior do cefalotórax; pré-abdome com uma faixa escura central bem definida e duas laterais discretas na face dorsal; presença de serrilha na face dorsal do 3º e 4º segmentos da cauda; presença de espinho subaculear no télson. Distribuição: Pernambuco, Bahia, Ceará, Piauí, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Tityus cambridgei: de 8 a 10 cm de comprimento; colorido geral castanho escuro avermelhado, com alguns pontos mais claros; o macho possui a cauda e os palpos mais finos e longos que a fêmea; presença de espinho subaculear no télson. Distribuição: Pará , Amapá, Tocantins e Rondônia.

Os escorpiões se alimentam de outros animais e praticam o canibalismo. Eles têm importância ecológica porque reduzem o número de insetos e outros artrópodos. A questão que sempre ocorre na avaliação dos acidentes por animais peçonhentos é o contato do homem com o animal. Há sempre a tendência a acreditar que os animais estejam invadindo habitações humanas, quando o oposto é a regra.

Explicando melhor: o crescimento das cidades se faz à custa de áreas rurais onde o escorpião vive. Ao serem instaladas novas casas e habitações, torna-se comum o acúmulo de material de construção não utilizado, madeiras e diversos materiais na parte final das construções próximas ao mato. Esse local repleto de entulho torna o ambiente propício para a proliferação dos escorpiões – que ficam protegidos dos predadores naturais da mata – e progressivamente o homem aumenta o contato ao manipular instrumentos que ficam mantidos nessas áreas de despejo.

Essa é a explicação principal do porquê de casos recentes de picadas de escorpião em ambiente urbano. Cabe acrescentar que o acúmulo de entulho em terrenos peridomiciliares não é somente propício à proliferação de escorpiões, mas também do mosquito Aedes – transmissor da dengue – e dos flebotomídeos transmissores da leishmaniose. Esse fato fez com que a Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo realizasse campanha de controle de “bagulhos” na região de Presidente Prudente, extremo oeste do estado, com o objetivo de reduzir a infestação por Aedes, flebotomídeos e acidentes por escorpião.