Causas de abortos naturais

Um aborto natural não indica necessariamente que exista alguma coisa de errado com o aparelho reprodutor da mãe. A mais comum - e mais difícil de prevenir - das causas de aborto natural no primeiro trimestre é uma anomalia nos cromossomos do feto. Normalmente isso resulta de um acidente (ou alteração) no processo de divisão ou de uma célula de óvulo ou espermatozóide. Mas um aborto natural que aconteça no segundo mês da gravidez pode estar relacionado a problemas no aparelho reprodutor materno.

Os fatores hormonais incluem anomalias que podem envolver desequilíbrio no nível materno de hormônios. Entre elas estão a síndrome de Cushing (em inglês), doenças de tireóide (em inglês) e a síndrome do ovário policístico (em inglês).

Não é surpresa que uma doença crônica que não esteja sendo controlada devidamente tenha efeito adverso sobre uma gravidez. Doenças como diabetes, caso não sejam tratadas devidamente, podem elevar o risco de aborto natural ou de defeitos congênitos. Pressão arterial elevada, lúpus (em inglês) e alterações no funcionamento da glândula tireóide (causando hipertireoidismo ou hipotireoidismo) também podem ser causa de problemas.

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A maioria dos médicos recomenda abstinência completa de álcool durante a gestação

Certas infecções agudas podem ser transmitidas ao feto ou à placenta e também colocam a mãe em risco. Nos países em desenvolvimento, a malária é uma das causas principais de aborto natural. Nessas áreas, as mulheres grávidas têm risco de contrair malária duas ou três vezes superior ao de mulheres que não estejam em gestação [fonte: MedScape]. A malária também pode causar peso baixo do bebê, partos prematuros e morte do bebê no parto. Nos países em desenvolvimento, as infecções mais comuns incluem pneumonia (em inglês), rubéola (em inglês), clamídia (em inglês), gonorréia (em inglês), herpes (em inglês) e toxoplasmose (em inglês), que pode ser adquirida pelo contato com as fezes de gatos.

Anomalias no aparelho reprodutor feminino também podem causar aborto natural. Por exemplo, algumas mulheres podem ter um septo que divide o útero em porções distintas. Como esse septo recebe suprimento inadequado de sangue, a placenta terá problemas para se desenvolver, o que priva o feto de nutrição. A ausência de tonus muscular no colo do útero (a abertura do útero para o canal vaginal) também aumenta a probabilidade de aborto natural. Muitas mulheres apresentam fibromas uterinos (em inglês) que, embora sejam formações benignas, uma localização em local desfavorável (capaz de bloquear a implantação do embrião e o fluxo sangüíneo) pode causar aborto natural.

Opções de estilo de vida também podem ser um fator importante. O fumo comprovadamente aumenta o risco de aborto natural. E a fumante não precisa ser a mãe - um estudo sobre o assunto se concentrou no tabagismo paterno. Segundo a pesquisa, caso o pai fume 20 ou mais cigarros ao dia, o risco materno de aborto natural sobe em 81% [fonte: American Journal of Epidemiology (em inglês)]. O consumo de álcool durante a gestação também é prejudicial. Um estudo demonstrou que uma mãe que bebe mais de 900 ml de álcool por mês duplica sua probabilidade de aborto natural. É importante ressaltar que não foi determinado que volume de álcool pode ser consumido durante a gestação sem que isso acarrete problemas, e a maioria dos médicos recomenda abstinência completa. E, sem nenhuma surpresa, o uso de medicamentos ilícitos reforça bastante a probabilidade de aborto natural e de defeitos congênitos [fonte: UpToDate Patient Information (em inglês)].

Alguns estudos (menos conclusivos) demonstraram risco mais elevado de aborto natural para mulheres que consome doses excessivas de cafeína. Muitos médicos recomendam que as mulheres reduzam seu consumo de cafeína a 200 ml ao dia, o que equivale a duas xícaras de café [fonte: March of Dimes (em inglês)].

É tão importante consumir os alimentos certos quanto evitar os errados. Mães mal nutridas também apresentam risco maior de aborto natural. Mulheres com peso muito abaixo do normal, muitas vezes não são saudáveis o bastante para sustentar uma gestação. Certas condições que surgem durante a gravidez - como a hiperemese gravídica (em inglês),  uma doença rara que pode resultar em desnutrição e desidratação grave - podem induzir a mulher a vomitar em excesso.

Por fim, traumas podem causar aborto natural. É importante distinguir, quanto a isso, entre traumas físicos e emocionais. Há poucas provas de que traumas emocionais - medo, raiva, sofrimento ou estresse - resultem em risco mais alto de aborto natural. Mas traumas físicos acarretam grande elevação de risco. Entre eles estão cirurgias que possam comprometer a segurança do feto. Esse tipo de procedimento normalmente só é utilizado em situações de emergência.

Na próxima seção veremos alguns sinais de alerta quanto a um possível aborto natural.